
O julgamento sobre a maternidade nas redes sociais ganhou números que explicam o que muitas mulheres já sentem na prática. Pesquisas internacionais sobre comportamento digital indicam que mães ativas nas plataformas podem ser até quatro vezes mais propensas a se sentirem julgadas por suas escolhas do que aquelas que não expõem a rotina online. O fenômeno, conhecido como “mom shaming”, atinge principalmente decisões ligadas ao corpo, alimentação e autocuidado.
A influenciadora fitness Mlow vivenciou essas estatísticas recentemente. Ao compartilhar uma foto simples treinando ao lado do filho, ela não imaginava a reação que viria. “Eu postei algo absolutamente comum da minha rotina. Não era um treino pesado, não era performance”, relatou em desabafo na rede social. O que parecia um registro cotidiano gerou uma enxurrada de comentários e mensagens privadas negativas.
O padrão das críticas revelou dados alarmantes: cerca de 90% das mensagens hostis partiram de outras mulheres. O argumento central questionava suas prioridades como mãe, tratando o autocuidado como egoísmo. “Era um exercício adaptado ao pós-parto, feito com meu filho ali comigo. Não era corpo perfeito, não era estética. Era vida real”, explica a influenciadora.
Para Mlow, o episódio expõe uma expectativa social invisível, porém sufocante, de que a maternidade exige a anulação completa da identidade feminina. No entanto, a repercussão também gerou acolhimento. Ao expor a situação, ela recebeu relatos de seguidoras que confessaram sentir culpa por atividades básicas, como uma caminhada ou momento de descanso.
A mensagem final da criadora de conteúdo é clara: cuidar do próprio corpo e mente não é desvio da função materna, mas ferramenta para exercê-la com equilíbrio. Enquanto a sociedade enxergar a saúde da mãe como falha, o ciclo de culpa continuará silenciando mulheres que buscam apenas uma vida mais saudável.