
A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro consolidou o protagonismo de Marco Rubio na política externa dos Estados Unidos. Em análise publicada nesta terça-feira (7) pelo jornal espanhol El País, a jornalista Macarena Vidal Liy descreve Rubio como o verdadeiro “vice-rei” de Donald Trump para a Venezuela, além do principal ideólogo da ofensiva que levou à queda do chavismo e agora responsável por coordenar, à distância, a condução política e econômica do país.
Segundo a análise, Rubio acumula um poder incomum em Washington. Além de secretário de Estado, ele exerce funções de conselheiro de Segurança Nacional e administrador do que resta da USAID, concentrando sob sua influência os principais instrumentos da política externa norte-americana. Com isso, passa a assumir formalmente a coordenação da gestão dos EUA sobre a Venezuela, em um dos movimentos mais arriscados da administração Trump.
Rubio: o arquiteto do cerco a Maduro
De acordo com o El País, Rubio foi o grande formulador, ao longo do último semestre, da estratégia de cerco progressivo ao governo venezuelano. Ex-senador da Flórida e filho de exilados cubanos, ele sempre defendeu uma postura de confronto direto com o chavismo, posição que sustentou durante anos no Congresso, quando se referia a Maduro como “narcoterrorista”.
Inicialmente, seus argumentos baseados em democracia e direitos humanos encontraram pouca receptividade junto a Trump, inclinado a uma estratégia de negociação. A virada ocorreu quando Rubio passou a enfatizar a acusação de narcotráfico contra Maduro, narrativa que ganhou força dentro da Casa Branca. A partir daí, Washington ampliou a recompensa pela captura do presidente venezuelano, intensificou o bloqueio naval no Caribe e passou a tratar sua queda como objetivo explícito da política externa.
Exigências diretas a Caracas
Após a captura de Maduro, Trump revelou que Rubio manteve uma conversa “longuíssima” com Delcy Rodríguez, agora figura central do novo governo venezuelano. Segundo o diário, coube a Rubio transmitir pessoalmente as condições impostas por Washington para que Rodríguez permaneça no poder: acesso preferencial ao petróleo venezuelano, repressão a grupos criminosos, combate ao narcotráfico e ruptura de laços com governos considerados inimigos dos EUA.
Rubio integrará um núcleo restrito de quatro figuras encarregadas de supervisionar os passos do governo venezuelano, ao lado do secretário de Defesa Pete Hegseth, do vice-presidente J. D. Vance e de Stephen Miller, estrategista político da Casa Branca. Ainda assim, assessores ouvidos pelo jornal espanhol indicam que Rubio será o líder efetivo do grupo, responsável por fazer cumprir as diretrizes presidenciais.
Petróleo, instabilidade e riscos da transição
A análise destaca que a principal missão de Rubio será decidir como reestruturar o setor energético venezuelano, eixo central da intervenção. Trump fala em um prazo de até 18 meses para reconstruir a indústria petrolífera com participação decisiva de empresas norte-americanas, mas especialistas alertam para o alto grau de incerteza do processo.
Analistas ouvidos pelo El País observam que Maduro, apesar do caráter autoritário de seu governo, funcionava como articulador entre diferentes facções do poder. Sua ausência pode gerar disputas internas, em um país marcado pela presença de grupos armados, cartéis e divisões políticas profundas, o que ameaça a transição “ordenada” defendida por Washington.
Vitória pessoal e advertência regional
Para Rubio, a queda de Maduro representa a consolidação de um projeto político de longa data: o enfrentamento às ditaduras de esquerda na América Latina. A intervenção na Venezuela é apresentada por ele como um recado direto a regimes como o de Cuba. Em declarações recentes, Rubio afirmou que autoridades cubanas deveriam “estar preocupadas” com os desdobramentos em Caracas.
A análise do El País conclui que Rubio alcança o auge de sua influência em Washington ao mesmo tempo em que assume o maior risco de sua carreira. A reconstrução da Venezuela sob tutela norte-americana coloca sobre ele e Trump a responsabilidade direta pelos resultados. Como lembra o texto, citando o ex-secretário de Estado Colin Powell, “quem quebra, assume”: o sucesso ou o fracasso da nova Venezuela terá assinatura clara de Marco Rubio.