
Uma reportagem exclusiva da Reuters divulgada nesta quinta-feira (8) revelou que o empresário norte-americano Harry Sargeant, magnata do setor de petróleo e aliado político do presidente Donald Trump, tem atuado como orientador informal da política dos Estados Unidos para a Venezuela, especialmente nas decisões relacionadas à exploração e ao controle do setor energético.
Sargeant não ocupa cargo oficial no governo, mas participa de conversas estratégicas sobre a reestruturação da indústria petrolífera venezuelana, a retomada de operações por empresas americanas e os modelos de investimento que poderão ser adotados no país.
Experiência empresarial e atuação internacional
Com mais de quatro décadas de atuação no setor de energia, Harry Sargeant construiu uma carreira marcada por operações em ambientes politicamente sensíveis. Ele é fundador de empresas de logística, infraestrutura e energia com atuação internacional e manteve, ao longo dos anos, relações comerciais diretas com a indústria petrolífera venezuelana, incluindo contratos com a estatal PDVSA antes do endurecimento das sanções internacionais.
Empresas ligadas a Sargeant já atuaram na exportação de derivados de petróleo, no transporte marítimo e em operações logísticas consideradas estratégicas para o escoamento da produção venezuelana, o que lhe conferiu conhecimento aprofundado das rotas, gargalos e fragilidades do setor.
Doador republicano e operador político
Além da atuação empresarial, Sargeant é conhecido nos Estados Unidos como um dos principais financiadores do Partido Republicano na Flórida. Ele construiu influência como articulador político e arrecadador de recursos, mantendo relações com lideranças republicanas há décadas e participando ativamente de campanhas eleitorais nacionais.
Seu perfil combina atuação empresarial, financiamento político e trânsito em agendas sensíveis de política externa, o que o tornou um interlocutor recorrente em temas estratégicos envolvendo energia, comércio internacional e segurança.
Relação com Trump e episódios anteriores
A proximidade de Sargeant com Donald Trump se intensificou a partir da década passada. Durante o primeiro mandato de Trump, seu nome ganhou projeção nacional ao surgir em investigações ligadas ao processo de impeachment de 2019, quando foi identificado como intermediário informal em discussões de política externa conduzidas fora dos canais diplomáticos tradicionais.
À época, seu envolvimento reforçou críticas no Congresso sobre o uso de canais paralelos e não institucionais para a formulação da política externa americana — um padrão que, segundo analistas, volta a se repetir na atual estratégia para a Venezuela.
Influência nos bastidores do governo
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, Sargeant mantém diálogo frequente com integrantes do alto escalão responsáveis pela agenda energética e apresenta propostas para garantir prioridade a empresas americanas na reconstrução da infraestrutura de petróleo da Venezuela. Ele defende modelos contratuais que assegurem controle operacional e logístico dos Estados Unidos sobre a produção e a exportação do petróleo venezuelano.
O empresário afirma que não trata diretamente do tema com Trump, mas reconhece que compartilha análises e recomendações com assessores centrais da administração.
Petróleo como eixo da nova estratégia
A presença de um empresário do setor privado no centro das discussões indica que o petróleo passou a orientar as decisões dos Estados Unidos em relação à Venezuela. Com as maiores reservas comprovadas do mundo, o país é tratado por Washington como ativo estratégico na reorganização do mercado energético e na disputa por influência com China e Rússia.
A atuação de Harry Sargeant como orientador informal mostra que parte dessas decisões está sendo conduzida fora dos canais diplomáticos tradicionais. A prioridade, segundo fontes, é garantir rapidez na retomada da produção e na entrada de empresas americanas, mesmo em um cenário político ainda instável. O movimento pode destravar investimentos, mas também levanta questionamentos sobre o peso de interesses privados na condução da política externa e tende a ampliar tensões no plano internacional.