
Os países da União Europeia deram sinal verde provisório ao acordo comercial com o Mercosul nesta sexta-feira (9), segundo diplomatas ouvidos pelas agências internacionais. A decisão histórica encerra mais de 25 anos de negociações e abre caminho para a criação da maior área de livre comércio do mundo, que beneficiará cerca de 451 milhões de consumidores europeus e os mercados sul-americanos.
A aprovação depende ainda da confirmação formal por escrito dos países-membros até as 17h no horário de Bruxelas (13h em Brasília). Com o aval do bloco, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está habilitada a assinar oficialmente o tratado na próxima segunda-feira (12), no Paraguai.
Para avançar, o acordo precisava do apoio de pelo menos 15 Estados-membros que representassem 65% da população da União Europeia. A maioria dos 27 países votou favoravelmente na reunião de embaixadores realizada em Bruxelas, superando o limiar necessário.
A decisão ocorreu apesar da forte oposição de países como França, Irlanda, Hungria e Polônia. O presidente francês Emmanuel Macron reafirmou, na véspera da votação, que Paris rejeitaria o acordo por considerar que os benefícios econômicos seriam limitados para o crescimento francês e europeu.
Os produtores rurais franceses lideram a resistência ao tratado, temendo a concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e produzidos sob padrões ambientais considerados menos rigorosos que os europeus. A Irlanda seguiu posição semelhante, com o primeiro-ministro Simon Harris declarando que o país não apoia o acordo na forma apresentada.
O papel da Itália foi considerado decisivo para o desfecho favorável. Durante a semana, Roma sinalizou apoio ao tratado, movimento visto como crucial para destavar a ratificação. A primeira-ministra Giorgia Meloni havia condicionado o voto italiano à consideração de demandas do setor agrícola do país.
O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além de estabelecer regras comuns para comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o tratado representa acesso ampliado ao mercado europeu e impactos positivos que transcendem o agronegócio, alcançando diversos segmentos da indústria nacional.