Arquivo/Agência Brasil

A Prefeitura de São Paulo bateu recorde em 2025 ao repassar R$ 7,3 bilhões em subsídios às empresas de ônibus municipais, valor 9% superior ao ano anterior. A apuração é do jornal O Estado de São Paulo. O montante, que representa 5% do orçamento total da cidade (R$ 137 bilhões), é praticamente equivalente ao orçamento inteiro de Guarulhos para 2026 (R$ 7,7 bilhões) e foi usado como uma das justificativas pela gestão Ricardo Nunes (MDB) para o aumento de R$ 0,30 na tarifa implementado nesta semana.

Segundo relatório técnico da SPTrans de 2 de janeiro, o subsídio é necessário para manter a tarifa acessível e garantir benefícios como integração gratuita entre ônibus e descontos na integração com trens e metrô. Sem a compensação tarifária, o preço da passagem na capital paulista seria de R$ 13,55 em 2026. A Prefeitura arca com 57% desse valor (R$ 7,72), enquanto o usuário paga os outros 43%.

O sistema de ônibus municipal custa R$ 1,1 bilhão por mês. A maior despesa, cerca de 93% do total (R$ 1 bilhão), decorre da operação da frota, incluindo remuneração de trabalhadores, combustível e aquisição de novos veículos. Os 7% restantes (R$ 84 milhões) referem-se à infraestrutura de terminais e gestão administrativa.

Nos últimos anos, o montante de subsídio tem escalado rapidamente enquanto o número de passageiros permanece em queda. Em 2025, 2,12 bilhões de pessoas utilizaram os ônibus municipais, redução de 1,4% em relação a 2024. O número está distante do patamar pré-pandemia de 2,64 bilhões registrado em 2019. Para 2026, a previsão é de manter a média de 179 milhões de passageiros mensais.

Especialistas alertam para a pressão crescente sobre o orçamento municipal, agravada por novos benefícios como a gratuidade aos domingos implementada em dezembro de 2023. A tarifa de ônibus chegou a ficar congelada por quatro anos e foi usada por Nunes como trunfo eleitoral.

O SPUrbanuss, sindicato das empresas de transporte, afirma que o recurso é “complemento tarifário” para cobrir gratuidades e descontos, não sendo destinado diretamente às concessionárias. Para 2026, a previsão de subsídio é de R$ 6,2 bilhões, embora historicamente o gasto real supere as estimativas.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) também reajustou a tarifa do metrô e trens da CPTM de R$ 5,20 para R$ 5,40, mesmo em ano eleitoral.

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