
O Papa Leão XIV afirmou que “a guerra voltou à moda” e denunciou a normalização da violência como instrumento recorrente da política internacional. A declaração foi feita netsa sexta-feira (9), durante o discurso anual ao corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé, no Vaticano, na abertura do ano diplomático.
Segundo o papa, o mundo vive uma fase em que o uso da força passou a ser tratado como opção aceitável, em detrimento do diálogo e do direito internacional. “A guerra é apresentada como solução, quando na verdade representa sempre um fracasso da política e da humanidade”, afirmou.
Leão XIV alertou que o enfraquecimento das instituições multilaterais abriu espaço para ações unilaterais, ameaças territoriais e intervenções armadas. “Quando o direito é substituído pela força, instala-se uma lógica perigosa em que todos se tornam vulneráveis”, disse, ao afirmar que nenhum país está imune às consequências dessa dinâmica.
O papa criticou de forma direta a banalização dos conflitos e o discurso que tenta justificá-los como inevitáveis. “A guerra nunca é inevitável. Ela é sempre o resultado de escolhas políticas concretas”, afirmou, acrescentando que interesses econômicos, estratégicos e geopolíticos têm sido colocados acima da vida humana.
Ao tratar das crises humanitárias, Leão XIV vinculou o aumento das migrações forçadas às guerras em curso. “Milhões de pessoas são obrigadas a abandonar suas casas não por fatalidade, mas porque alguém decidiu que a violência era aceitável”, declarou. Para ele, transformar migrantes em ameaça representa uma distorção moral e política.
Violações do direito internacional
Dirigindo-se aos embaixadores, o papa afirmou que a neutralidade diante de agressões e violações do direito internacional contribui para a repetição da violência. “A indiferença diante da injustiça não é prudência diplomática; é cumplicidade”, disse.
O pontífice também condenou o uso seletivo das normas internacionais, alertando que sua aplicação conforme conveniências políticas destrói a credibilidade do sistema global. “Não pode haver um direito para alguns e exceções para outros”, afirmou.
Ao final do discurso, Leão XIV reforçou que a paz exige decisões políticas claras e coragem diplomática. “A paz não nasce das armas, nem da intimidação, mas do respeito, da justiça e do compromisso com o diálogo”, declarou.
A fala ocorre em meio a um cenário internacional marcado por conflitos armados, disputas territoriais, pressões geopolíticas e questionamentos crescentes ao sistema multilateral. Segundo o papa, esse contexto exige responsabilidade histórica das lideranças globais. “Cada guerra é sempre uma derrota da humanidade”, concluiu.