Reprodução/TV Globo

O Brasil voltou a fazer história, e a fazer tremer as redes sociais, no Globo de Ouro. Na 83ª edição do prêmio, o cinema brasileiro triunfou com as vitórias de “O Agente Secreto”, em Filme em Língua Não Inglesa, e de Wagner Moura, em Ator Dramático em Cinema. O fato das vitórias ocorrem no ano seguinte à de Fernanda Torres como atriz dramática por “Ainda Estou Aqui”, e se darem em um contexto de relativo favoritismo são sintomas da evolução da percepção do cinema brasileiro no âmbito internacional, mas nos EUA em particular.

Os discursos de agradecimento de Kléber Mendonça Filho e Wagner Moura reforçaram essa ideia. Os dois fizeram questão de destacar, tanto no palco como nas entrevistas pós-cerimônia, que o momento é de reconexão do público brasileiro com seu cinema e que ver essa jornada se dar por meio do reconhecimento internacional tem valor especial.

É verdade também que as vitórias desse domingo (11) condicionam o longa a ambições maiores no Oscar, cujos indicados serão conhecidos no dia 22. “O Agente Secreto”, cuja indicação em Filme Internacional já é certa, agora assume o favoritismo em um ano de candidaturas muito fortes, como do norueguês “Valor Sentimental” e do iraniano, que concorre pela França, “Foi Apenas um Acidente”. Mas o filme demonstra fôlego para mais. Indicações nas categorias de roteiro original, Direção de Elenco e Filme são tangíveis.

Há, ainda, Wagner Moura, que briga pela quinta vaga entre os finalistas. O fato de ter vencido o Globo de Ouro na véspera da abertura da votação para definição dos indicados pelos membros da Academia de Artes e Ciências de Hollywood, vitamina suas chances. Com Leonardo DiCaprio (“Uma Batalha Após a Outra”), Timotheé Chalamet (“Marty Supreme”), Michael B. Jordan (“Pecadores”) e Ethan Hawke (“Blue Moon”) praticamente certos, o ator disputa com Jesse Plemons (“Bugonia”) e Joel Edgerton (“Sonhos de Trem”) a última vaga.

Favorito consolidado

Divulgação

Depois da vitória no Critics Choice Awards no domingo (4), “Uma Batalha Após a Outra” levou quatro prêmios nos Globo de Ouro. As vitórias em Filme em Comédia ou Musical, Direção, Roteiro e Atriz Coadjuvante, para Teyana Taylor, cacifam o filme como o grande favorito ao Oscar 2026. Tudo indica que o longa deve faturar todos os principais prêmios até o Oscar.

Outros vitoriosos na noite foram “Hamnet”, que além de Filme Dramático, levou o prêmio de Atriz em Drama para Jesse Buckley; “Guerreiras do K-Pop”; e “Pecadores”; todos, assim como “O Agente Secreto”, com dois prêmios. “Valor Sentimental”, “Seu Eu Tivesse Pernas, Te Chutaria” e “Marty Supreme” também ganharam prêmios nas categorias de atuação.

Séries

Na ala da séries não houve qualquer surpresa e os vencedores da última edição do Emmy se repetiram: “The Pitt”, como drama; “The Studio”, como comédia; e “Adolescência”, como minissérie ou antologia.

Sob muitos aspectos, apesar da apoteose brasileira, foi um Globo de Ouro protocolar. Desde as piadas pouco inspiradas da apresentadora Nikki Glaser até a poucas inspiradas escolhas nas categorias voltadas à TV. Todavia, o Globo de Ouro parece ratificar as principais tendências na temporada de prêmios no cinema.

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