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A vitória de “O Agente Secreto” no Globo de Ouro 2026 ganhou destaque nos principais jornais do mundo nesta segunda (12). O longa brasileiro de Kleber Mendonça Filho conquistou dois prêmios na premiação – Melhor Filme em Língua Não-Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, com Wagner Moura – e a repercussão internacional foi imediata, consolidando o Brasil como potência do cinema autoral contemporâneo.

O “Washington Post” foi enfático ao destacar que Wagner Moura “não para de quebrar recordes”. A publicação americana lembrou a trajetória impressionante do ator: primeiro brasileiro indicado como ator principal no Globo de Ouro, primeiro sul-americano a vencer em Cannes e primeiro latino a ganhar o prêmio de melhor ator nos 90 anos do Círculo de Críticos de Cinema de Nova York. O jornal também repercutiu o discurso do diretor Kleber Mendonça Filho, que dedicou o prêmio aos jovens cineastas e afirmou que este é um momento crucial para o cinema internacional.

No Reino Unido, o “The Guardian” estabeleceu uma conexão simbólica: um ano depois de Fernanda Torres se tornar a primeira brasileira a vencer um Globo de Ouro por “Ainda Estou Aqui”, Wagner Moura se tornou o segundo artista do país a conquistar a estatueta. A publicação britânica destacou a sequência de vitórias brasileiras como um fenômeno sem precedentes.

O “The Hollywood Reporter”, uma das bíblias da indústria cinematográfica, classificou a vitória de Moura como uma das seis mais significativas na véspera da votação das indicações ao Oscar. O site americano elogiou a estratégia do ator: “Moura entendeu a missão quando usou seu discurso de agradecimento no Globo de Ouro para instigar os espectadores sobre o que é ‘O Agente Secreto’ e por que é importante”.

Na França, “Le Figaro” destacou que o cinema brasileiro alcançou uma vitória dupla histórica, consolidando o país como uma das forças do cinema autoral contemporâneo. O jornal francês enfatizou a importância cultural do momento para o Brasil.

A repercussão na América Latina também foi intensa. O jornal espanhol “El País” ressaltou que, em uma categoria altamente competitiva, o filme brasileiro superou produções europeias consagradas e levou o prêmio de melhor filme em língua não inglesa. Na Argentina, o “Clarín” repercutiu as vitórias brasileiras e foi além: afirmou que Wagner Moura deve ser indicado ao Oscar de melhor ator.

A revista “Variety” contextualizou o feito histórico: além de ser o primeiro brasileiro a ganhar o prêmio de Melhor Ator em Filme de Drama, Moura também foi o primeiro ator brasileiro a ser indicado na categoria.

Esta é a primeira vez na história que o Brasil vence dois prêmios em uma mesma edição do Globo de Ouro. Ambientado nos anos 1970, “O Agente Secreto” conta a história de um professor universitário que volta ao Recife para reencontrar o filho caçula em plena ditadura militar. Em seu discurso emocionado, Wagner Moura disse: “É um filme sobre memória, a falta dela e um trauma geracional”, finalizando com “viva o Brasil e a cultura brasileira”.

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