
O Irã atravessa a maior onda de protestos desde 2009, com pelo menos 538 mortos e mais de 10.670 pessoas presas, segundo o grupo de direitos humanos HRANA. Os protestos, iniciados no final de dezembro em Teerã, foram motivados por uma severa crise econômica, mas evoluíram para exigências de renúncia do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que está no poder desde 1989.
A moeda iraniana, o rial, perdeu metade do valor em relação ao dólar em 2025, e a inflação ultrapassou 40% em dezembro. A situação econômica se agravou após a reimposição de sanções pelos EUA em 2018, quando Trump deixou o acordo nuclear internacional, e piorou ainda mais com bombardeios norte-americanos e israelenses contra instalações nucleares iranianas em junho de 2025.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou nesta segunda-feira (12) que a situação está “sob controle total” após o aumento da violência durante o fim de semana. Araqchi afirmou que o país está “pronto para a guerra, mas também para o diálogo” e acusou as ameaças de Trump de terem motivado “terroristas” a atacar manifestantes e forças de segurança. Entre os mortos estão 490 manifestantes e 48 policiais.
O presidente dos EUA intensificou as ameaças contra Teerã, declarando que os EUA devem intervir se o Irã começar a matar pessoas. “Vamos atingi-los com muita força onde mais dói”, disse Trump na Casa Branca. No domingo (11), o republicano afirmou que o Irã entrou em contato propondo negociar um acordo nuclear. “Acho que eles estão cansados de apanhar dos EUA”, declarou o presidente americano.
As manifestações já se espalharam por 25 das 31 províncias iranianas. Na quinta-feira (8), Khamenei ordenou um apagão da internet e da rede telefônica para tentar conter os protestos. O líder iraniano chamou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores” em pronunciamento na TV estatal, acusando-os de “destruir as próprias ruas para agradar o presidente de outro país”.
O chefe da polícia iraniana, Ahmad-Reza Radan, confirmou que as forças de segurança “escalaram o nível de confronto contra os manifestantes”. Organizações de direitos humanos reportam que policiais dispararam contra manifestantes, mas o número exato de mortos é incerto devido ao isolamento do país.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, tentou buscar diálogo ao afirmar que o governo está pronto para “ouvir seu povo”, mas simultaneamente pediu que a população se afaste de “terroristas e badernistas” e acusou EUA e Israel de “semear caos”. O parlamento iraniano ameaçou retaliar contra Israel e bases militares americanas no Oriente Médio caso o país seja bombardeado.