
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (13) uma nova fase da Operação Overclean, investigação que apura suspeitas de desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares, com indícios de corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em contratos administrativos. A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e tem como um dos principais alvos o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA).
Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar e a outros investigados na Bahia e no Distrito Federal. Houve também bloqueio de valores em contas bancárias, medida adotada para interromper a movimentação de recursos considerados suspeitos e preservar patrimônio para eventual ressarcimento aos cofres públicos.
Félix não foi preso
Nesta fase da operação, Félix Mendonça Júnior não foi preso. Contra ele, o STF autorizou apenas medidas cautelares, como buscas, apreensão de aparelhos eletrônicos e análise de documentos. O deputado foi localizado no interior da Bahia e colaborou com o cumprimento das ordens judiciais.
Até o momento, não há denúncia formal apresentada contra o parlamentar. A investigação segue em fase de coleta e análise de provas.
O que está sendo investigado
A Operação Overclean apura a existência de uma organização criminosa estruturada para direcionar emendas parlamentares a municípios previamente escolhidos, em troca de pagamentos ilegais. Segundo a Polícia Federal, o esquema envolvia a combinação de contratos, manipulação de licitações e repasse de parte dos recursos a agentes políticos e intermediários.
De acordo com a investigação, empresas eram favorecidas em contratos financiados com recursos de emendas parlamentares, com indícios de superfaturamento, serviços não executados ou contratos simulados. Os valores desviados teriam sido pulverizados por meio de empresas de fachada, contas de terceiros e operadores financeiros para ocultar a origem ilícita do dinheiro.
Os crimes investigados incluem organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.
Papel atribuído ao deputado
Segundo a Polícia Federal, Félix Mendonça Júnior é investigado por supostamente articular a destinação de emendas parlamentares e participar da negociação de contrapartidas financeiras com agentes públicos locais. Parte dessas tratativas teria ocorrido por intermédio de assessor parlamentar, que também é alvo da investigação.
A PF sustenta que o deputado teria influência direta na interlocução com prefeitos e empresários beneficiados pelos contratos financiados com recursos federais. Esses elementos ainda estão sob apuração e serão confrontados com o material apreendido nesta fase.
Embora não tenha havido prisões nesta etapa envolvendo o deputado, fases anteriores da Operação Overclean, iniciada em dezembro de 2024, resultaram na prisão de operadores financeiros, empresários, assessores parlamentares e agentes públicos, incluindo prefeitos suspeitos de participação no esquema.
Essas fases anteriores permitiram à Polícia Federal mapear o funcionamento do grupo, identificar contratos suspeitos e rastrear movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada dos investigados.
O que diz o deputado
Em nota divulgada após a operação, Félix Mendonça Júnior afirmou que nega qualquer irregularidade e que sempre atuou dentro das atribuições legais do mandato parlamentar. Segundo ele, sua atuação se limita à apresentação de emendas para destinar recursos federais a municípios, sem participação na execução das obras, na escolha de empresas ou na gestão dos contratos.
O deputado afirmou ainda que não exerce função de ordenador de despesas, que nunca solicitou vantagens indevidas e que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Com a nova fase da operação, a Polícia Federal deve aprofundar a análise de documentos, dados bancários, comunicações e dispositivos eletrônicos apreendidos. O material poderá subsidiar novos pedidos de medidas cautelares ao STF e, posteriormente, a apresentação de denúncias formais.
O caso reacende o debate sobre os mecanismos de controle e transparência na execução de emendas parlamentares e sobre o papel dos órgãos de fiscalização na prevenção de desvios de recursos públicos.