Irã
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou nesta terça-feira (13) suas declarações sobre a crise no Irã, ao incentivar a continuidade dos protestos contra o regime, afirmar que “a ajuda está a caminho” e recomendar que cidadãos americanos deixem o país diante do agravamento da repressão.

Questionado sobre a segurança de estrangeiros no Irã, Trump afirmou que a saída pode ser a melhor alternativa. “Eu diria que não é uma má ideia sair”, disse, ao ser perguntado se cidadãos americanos ou de países aliados deveriam deixar o território iraniano.

As declarações foram feitas em uma fábrica da Ford, no estado de Michigan, e ocorreram em meio às maiores manifestações registradas no Irã em anos, marcadas por bloqueios de comunicação, detenções em massa e uso intensivo das forças de segurança.

Número de mortos segue incerto no Irã

Trump afirmou que ainda não recebeu informações consolidadas sobre o número de mortos nos protestos. “Ninguém conseguiu me dar um número preciso”, disse. “Ouvi números que variam — todos são altos, um deles é alto — mas ouvi números muito menores e números muito maiores. Saberemos em breve. Provavelmente descobriremos nas próximas 24 horas.”

Grupos de direitos humanos com sede nos Estados Unidos estimam que ao menos 2 mil manifestantes tenham sido mortos em mais de duas semanas de protestos. Esse número, no entanto, não pôde ser confirmado de forma independente por veículos internacionais.

Apesar da gravidade do cenário, Trump se recusou a detalhar o que quis dizer ao afirmar anteriormente que “a ajuda está a caminho” dos manifestantes. “Vocês vão ter que descobrir isso”, respondeu a jornalistas ao ser questionado sobre o significado da declaração.

Repressão e reações internacionais

Autoridades iranianas intensificaram a repressão nos últimos dias, com prisões em larga escala, bloqueio quase total da internet pelo quinto dia consecutivo e restrições severas às comunicações. Em algumas regiões, usuários conseguiram realizar chamadas internacionais após mais de quatro dias de interrupção, mas o acesso à rede segue amplamente limitado.

A escalada da violência provocou reações internacionais. Governos europeus condenaram a repressão e convocaram embaixadores iranianos. O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou que o regime iraniano pode estar vivendo seus “últimos dias e semanas”.

Tarifa anunciada na segunda-feira (12)

No campo econômico, a crise foi acompanhada por um novo endurecimento da política dos Estados Unidos. Na segunda-feira (12), a administração Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 25% sobre países que mantêm relações comerciais com o Irã, como parte da estratégia de pressão sobre Teerã.

Nesta terça-feira (13), Trump não participou de uma reunião de seus assessores de segurança nacional dedicada ao Irã, segundo informou a Casa Branca, um dia após o anúncio da medida tarifária.

Impacto direto para o Brasil

A decisão tem impacto direto sobre o Brasil, que movimentou quase US$ 3 bilhões em comércio com o Irã em 2025, com destaque para exportações do agronegócio, como milho, soja e carnes. Com a nova tarifa, empresas brasileiras podem enfrentar custos adicionais, riscos de sanções secundárias e maior incerteza comercial, caso mantenham operações com o país.

Especialistas em comércio exterior avaliam que a combinação entre instabilidade interna no Irã, repressão prolongada e endurecimento da política comercial dos Estados Unidos pode reduzir fluxos comerciais e exigir ajustes diplomáticos por parte de países parceiros.

Enquanto os protestos continuam e o número de mortos aumenta, a postura pública de Trump amplia a pressão sobre o regime iraniano e sobre a comunidade internacional. Para o Brasil, o desdobramento da crise representa não apenas um desafio diplomático, mas também um risco econômico concreto, ao atingir um mercado relevante para as exportações nacionais.

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