Bolsonaro
Rodrigo Romeo/Flickr/Alesp

O prefeito de Camboriú, Leonel Pavan (PSD-SC), criticou nesta segunda-feira (19) a articulação do Partido Liberal (PL) para lançar Carlos Bolsonaro como candidato ao Senado por Santa Catarina. As declarações repercutiram no meio político estadual e nacional, em meio às movimentações iniciais para as eleições de 2026.

“Acho uma loucura o que o PL está fazendo em Santa Catarina”, afirmou Pavan ao comentar a possibilidade de o vereador carioca disputar uma vaga no Senado pelo estado. Para o prefeito, a estratégia desconsidera a lógica da representação regional e ignora a trajetória política construída por lideranças locais. “Santa Catarina não é balcão de negócio”, disse.

Segundo Pavan, a importação de candidaturas nacionais para disputas estaduais tende a fragilizar o vínculo entre representantes e eleitores. Na avaliação do prefeito, a movimentação revela uma condução eleitoral mais orientada por disputas e símbolos nacionais do que por compromissos com a realidade política e social do estado.

O prefeito também ampliou as críticas ao ambiente de polarização que marca o debate público no país. Para ele, a insistência em rótulos ideológicos tem empobrecido a discussão sobre políticas públicas. “O Brasil não merece dividir a população por esquerda e direita. Eu quero saber o que muda na vida de quem ganha até R$ 5 mil ou R$ 7 mil por mês”, declarou.

Pavan afirmou ainda que a política deveria priorizar temas concretos, como renda, impostos e serviços públicos, em vez de disputas identitárias. “Isso importa mais do que ficar rotulando as pessoas. Esses extremos não ajudam a resolver os problemas do país”, acrescentou.

Quem é Carlos Bolsonaro

Carlos Bolsonaro é vereador no Rio de Janeiro e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A possibilidade de sua candidatura ao Senado por Santa Catarina ganhou força após sua saída da Câmara Municipal do Rio, movimento interpretado como parte da estratégia do PL para ampliar sua presença no Senado em 2026, especialmente em estados considerados eleitoralmente favoráveis ao bolsonarismo.

A reação do prefeito de Camboriú expõe uma tensão que vai além da disputa específica. Lideranças políticas catarinenses têm manifestado, de forma pública ou reservada, resistência à ideia de candidaturas sem vínculo histórico com o estado. A avaliação predominante é de que o eleitorado local tende a valorizar trajetórias políticas construídas em Santa Catarina e a demonstrar desconfiança em relação a projetos percebidos como externos.

O episódio ocorre em um momento inicial de reorganização partidária e definição de estratégias para 2026, quando partidos testam nomes, discursos e alianças. As declarações de Pavan indicam que a eventual candidatura de Carlos Bolsonaro deverá enfrentar não apenas adversários tradicionais, mas também críticas vindas de setores que, em outros temas, mantêm proximidade política com o PL.

Embora a candidatura ainda não tenha sido oficialmente formalizada, o debate antecipado sinaliza que a disputa pelo Senado em Santa Catarina tende a ser marcada por embates sobre representatividade, identidade política e o peso de lideranças nacionais nas eleições regionais.

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