O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP

A decisão do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) de represar transferências de recursos para prefeituras paulistas ao longo de 2025 provocou forte incômodo entre aliados e abriu um flanco de desgaste político em ano pré-eleitoral. Dados da Secretaria da Fazenda e Planejamento mostram que, até a segunda quinzena de dezembro, haviam sido liberados cerca de R$ 1,27 bilhão em convênios para investimentos municipais; valor inferior ao de 2024, que somou R$ 1,7 bilhão, já corrigido pela inflação. A pressão de prefeitos e parlamentares levou o governo a destravar, na última semana do ano, mais R$ 424 milhões, praticamente igualando o montante do ano anterior.

A retenção de verbas mobilizou prefeitos de diferentes regiões. No Pontal do Paranapanema, 17 gestores municipais se reuniram em Anhumas para cobrar a liberação dos recursos, exibindo uma faixa com o apelo “SOS governador: cidades do oeste paulista pedem socorro”. No Alto Tietê, articulações semelhantes avançam, enquanto prefeitos ligados ao PP já admitem apoiar outro nome caso Tarcísio confirme a tentativa de reeleição em 2026.

Além da escassez orçamentária, agravada por um ano de arrecadação fraca, políticos relatam entraves burocráticos e falta de sintonia entre a Casa Civil, comandada por Arthur Lima, e a Secretaria de Governo, chefiada por Gilberto Kassab. Deputados afirmam que acordos firmados com assessores da Casa Civil não avançaram ao chegar à pasta de Kassab, atrasando convênios e ampliando o mal-estar interno.

O governo paulista afirma que, além das transferências voluntárias, realiza investimentos diretos em todo o estado, somando mais de R$ 30 bilhões em mobilidade urbana e logística. Em nota, destaca ter enviado R$ 3,5 bilhões aos municípios desde o início da gestão e nega desarticulação interna, afirmando que as ações são planejadas de forma integrada e em diálogo permanente com prefeitos e parlamentares

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