A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o blogueiro Paulo Figueiredo pelo crime de coação no curso de processo, acusando-os de tentar influenciar o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a trama golpista que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, os dois, que vivem nos Estados Unidos, agiram para promover “graves sanções” contra o Brasil, com o objetivo de “demover o Supremo de condenar” o ex-presidente.

A denúncia da PGR, que tramita sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, afirma que os acusados se apresentaram nas redes sociais e em entrevistas como os “articuladores” das sanções, ameaçando as autoridades brasileiras com “represálias estrangeiras”. Se a denúncia for aceita, eles se tornam réus na Corte. Em nota conjunta, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo desqualificaram a denúncia e reafirmaram a intenção de continuar agindo com “parceiros internacionais” em busca de novas sanções, defendendo que a única saída para o país é uma “anistia ampla, geral e irrestrita”.

Mandato em xeque e ambições presidenciais

As acusações da PGR se somam aos desafios que o parlamentar enfrenta no Congresso Nacional. Morando no exterior desde março sob a alegação de perseguição política, Eduardo Bolsonaro tem registrado um alto número de faltas não justificadas. Desde o fim de sua licença em julho, ele compareceu a apenas 13 sessões, todas virtuais, acumulando 23 ausências.

Essa abstenção foi o principal argumento do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), para barrar sua indicação como líder da minoria, uma manobra da oposição para livrá-lo da perda do mandato por faltas. O presidente da Casa afirmou que o exercício do mandato é “inerentemente presencial” e ressaltou que o deputado não comunicou formalmente sua saída do país. As faltas também colocam o parlamentar na mira do Conselho de Ética da Casa, que avalia uma representação do PT por quebra de decoro parlamentar.

Em meio a esse cenário de crise política e judicial, Eduardo Bolsonaro revela a mais de um interlocutor sua intenção de ser candidato à Presidência da República em 2026. De acordo com apuração da colunista da Folha, Monica Bergamo, fontes próximas a ele afirmam que o deputado está disposto a deixar o PL e se filiar a um partido menor para concorrer, mesmo que o ex-presidente Jair Bolsonaro opte por apoiar outro nome, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A atitude demonstra uma independência em relação ao pai e uma nova dinâmica dentro do clã Bolsonaro.

Apesar da ambição, a eventual candidatura de Eduardo deve enfrentar obstáculos jurídicos. A denúncia da PGR pode torná-lo inelegível no futuro, mas isso só aconteceria no segundo semestre de 2026, permitindo-lhe fazer campanha e atrair votos bolsonaristas, o que pode gerar uma divisão ainda mais profunda no eleitorado de direita.

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