
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, voltou a afirmar nesta sexta-feira (23) que irá declarar apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-SP) à Presidência da República, após semanas de especulação sobre suas reais intenções políticas para 2026. A declaração foi feita durante cerimônia na zona metropolitana da capital paulista, um dia depois de Tarcísio anunciar em suas redes sociais que não disputará o Palácio do Planalto.
No evento, o governador também negou ter sido pressionado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a abrir mão de ambições eleitorais. “O presidente nunca me pressionou. Por nada. Nosso relacionamento sempre foi de amigo. Ele nunca me pediu nada, a única coisa foi para ser candidato ao Governo do Estado de São Paulo”, afirmou.
Segundo Tarcísio, o apoio a Flávio Bolsonaro será ativo. “Agora, a gente vai trabalhar muito em prol do Flávio Bolsonaro. Não vai ter problema nenhum quanto a isso”, disse. Questionado sobre cobranças por manifestações mais explícitas, reagiu: “Mais enfático que isso? Sempre disse que meu candidato era o Bolsonaro ou quem ele indicar. Ele [Jair Bolsonaro] indicou o Flávio, então quem é o meu nome a partir de agora? É o Flávio Bolsonaro”, disse.
Críticas internas e silêncio estratégico
As declarações ocorrem após dias de críticas públicas e reservadas de aliados próximos ao ex-presidente, incluindo o agora ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que cobravam um posicionamento mais claro do governador. O incômodo surgiu porque, enquanto setores do campo conservador passaram a defender o nome de Tarcísio como alternativa presidencial, o governador evitava citar Flávio como candidato prioritário do bolsonarismo.
O silêncio foi interpretado por aliados como sinal de hesitação ou cálculo político, especialmente diante da disputa interna por protagonismo na direita e da resistência de parte do eleitorado paulista ao nome do senador.
Questionado sobre a preferência de segmentos partidários por seu próprio nome, Tarcísio afirmou encarar o movimento com naturalidade, mas reiterou que não está no seu horizonte disputar a Presidência. “Tem muita especulação e isso é normal, porque o pessoal sempre vê o governador de São Paulo como uma figura presidenciável”, disse. Em seguida, reforçou que seu foco segue sendo a reeleição ao governo estadual.
Visita a Bolsonaro e ruídos políticos
A tensão ganhou novo capítulo na última terça-feira (20), quando Tarcísio cancelou uma visita que havia programado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, detido na Papudinha, em Brasília (DF). A expectativa de Flávio Bolsonaro era de que o encontro servisse para o governador confirmar publicamente sua adesão ao projeto eleitoral do senador.
O cancelamento repentino foi interpretado por aliados como um sinal de que a questão ainda não estava resolvida. Tarcísio, no entanto, rechaçou motivação política. “Eu tinha uma razão pessoal, não podia ir. Imediatamente pedi outra data ao Supremo, que já foi autorizada”, disse.
O novo encontro está previsto para quinta-feira (29). Segundo o governador, a visita terá caráter pessoal e político. “Eu vou estar lá para prestar todo o meu apoio e solidariedade, ver se ele está precisando de alguma coisa, falar do que a gente está fazendo aqui e dizer que nós vamos estar sempre juntos”, declarou.
Reorganização do discurso político de Tarcísio
A nova manifestação de Tarcísio busca reorganizar o discurso após semanas de ruído político. Ao descartar a candidatura presidencial, negar pressão de Bolsonaro e reafirmar apoio a Flávio, o governador tenta reduzir tensões internas e conter a leitura de ambiguidade estratégica.
Na prática, o movimento representa um ajuste de narrativa, não necessariamente uma mudança estrutural de posição. O governador sinaliza alinhamento ao bolsonarismo, mas preserva seu projeto central em São Paulo, mantendo distância de uma definição antecipada sobre 2026.
Em uma outra leitura, a necessidade de declarações públicas tão enfáticas, concentradas em poucos dias, soa e indica que o impasse existiu e ainda deixa marcas. O episódio expõe a disputa silenciosa por liderança no campo conservador e o esforço de Tarcísio para equilibrar lealdade política e autonomia eleitoral.