Toffoli
Nelson Jr/STF

A publicação, nesta sexta-feira (13), de trechos atribuídos a uma reunião reservada do Supremo Tribunal Federal (STF), realizada na noite de quinta-feira (12), provocou nova crise interna na Corte e levou ministros a suspeitarem de gravação clandestina do encontro.

A reunião havia sido convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, após a Polícia Federal informar que mensagens extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, mencionavam o nome do ministro Dias Toffoli, movimento que culminou na sua retirada da relatoria do caso.

A primeira reportagem detalhando o conteúdo da reunião foi publicada pelo site Poder360, que descreveu o debate interno e apontou que havia maioria para manter Toffoli na condução dos processos, embora com preocupação quanto ao desgaste institucional. Horas depois, a Folha de S.Paulo informou que ministros passaram a acreditar que poderiam ter sido gravados clandestinamente, diante do nível de detalhamento das falas reproduzidas. A publicação também registrou desconforto com a divulgação de trechos considerados favoráveis ao ministro.

Toffoli negou ter gravado ou vazado qualquer conteúdo. “É absolutamente inverídico”, declarou. Em outra manifestação, afirmou que “não grava” conversas internas nem “fica relatando” reunião de ministros.

O que motivou a reunião

O encontro foi convocado após a Polícia Federal entregar ao STF relatório que mencionava o nome de Toffoli em diálogos encontrados no celular de Daniel Vorcaro, investigado no âmbito do caso Banco Master. As mensagens fariam referência a um aporte de R$ 20 milhões no Tayayá Resort, empreendimento no Paraná ligado a empresa na qual familiares do ministro tiveram participação societária.

Reportagem do Estadão destacou que o documento da PF sugeria a análise da eventual suspeição de Toffoli, mas não apresentava acusação formal. Também foi noticiado que diálogos mencionariam serviços jurídicos relacionados à ex-esposa do ministro, Roberta Rangel. Toffoli afirmou que não era administrador do resort, que não recebeu valores e que se declara impedido quando sua ex-esposa atua em processos.

O vazamento e a reação interna

O episódio ganhou dimensão institucional com a divulgação detalhada de falas atribuídas a ministros durante a reunião reservada. Segundo a Folha, integrantes do STF avaliaram que o grau de precisão das declarações indicaria possível gravação do encontro.

Não houve apresentação pública de áudio ou transcrição oficial. A suspeita surgiu da avaliação de que as frases foram reproduzidas em sequência muito próxima ao que teria ocorrido na reunião.

Ministros se disseram “atônitos” com a publicação. “São frases literais, numa sequência muito semelhante ao que aconteceu nas reuniões. Para quem estava lá, a sensação é de que alguém dentro da sala gravou tudo aquilo”, afirmou um deles à Folha.

Até o momento, não há confirmação de gravação clandestina, tampouco anúncio de procedimento formal para apurar o vazamento.

Redistribuição da relatoria de Toffoli

Na noite de quinta-feira (12), após cerca de três horas de discussão, o STF divulgou nota conjunta afirmando que “não é caso de cabimento para arguição de suspeição”, mas informou que, a pedido de Toffoli e “considerados os altos interesses institucionais”, os processos relacionados ao Banco Master seriam redistribuídos. Com a saída do ministro, André Mendonça foi sorteado como novo relator.

O caso também repercutiu no Senado. A CPI do Crime Organizado incluiu na pauta requerimentos para convidar Toffoli e Alexandre de Moraes a prestar esclarecimentos. A convocação ainda depende de votação na comissão.

O que permanece em aberto

Há duas frentes em andamento. A primeira é a investigação sobre o Banco Master e o conteúdo do relatório da Polícia Federal. A segunda é a origem do vazamento da reunião reservada do STF, que expôs discussões internas e aprofundou a tensão entre ministros.

Toffoli nega qualquer irregularidade e afirma não ter gravado ou divulgado conteúdo da reunião. Não há acusação formal apresentada contra ele.

O caso segue sob sigilo parcial e permanece em apuração.

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