
O presidente dos EUA, Donald Trump, discursou na noite de terça-feira (24) perante o Congresso americano no tradicional “Estado da União”, cumprindo um ritual que marca o tom político do ano. Com 1 hora e 48 minutos de duração, o discurso bateu o recorde histórico do formato e abrangeu desde ameaças ao programa nuclear iraniano até acusações contra imigrantes irregulares, passando por uma celebração dos próprios resultados econômicos.
A política externa ocupou parte significativa da fala. Trump voltou os olhos ao Irã, acusando o regime de persistir no desenvolvimento de armas nucleares mesmo após os ataques militares americanos ao país em junho de 2025, que teriam destruído parte do programa nuclear iraniano. Segundo o presidente, Teerã já possui mísseis capazes de atingir a Europa e bases militares dos EUA no exterior, e trabalha para ampliar esse alcance até o território norte-americano. “Minha preferência é resolver esse problema pela diplomacia, mas jamais permitirei que o maior patrocinador do terrorismo no mundo tenha uma arma nuclear”, afirmou Trump, em tom que misturou abertura ao diálogo com advertência clara.
O presidente também celebrou a captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, em operação realizada em 3 de janeiro, classificando o feito como “uma vitória colossal” para a segurança americana. Disse estar trabalhando com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, para avançar em acordos econômicos entre os dois países. No campo mais amplo da política hemisférica, reafirmou o objetivo de restaurar o domínio dos EUA no continente americano.
No front interno, a imigração foi o tema mais carregado de tensão. Trump relatou casos de cidadãos americanos vítimas de crimes cometidos por imigrantes em situação irregular e usou os exemplos para pressionar o Congresso por medidas mais duras. Pediu a aprovação da chamada “Lei Dalilah” — que proibiria estados de emitir carteiras de motorista a imigrantes ilegais —, além de legislação que exigiria comprovação de cidadania nas urnas e o fim das chamadas “cidades-santuário”. Em um momento de confronto direto com a oposição, pediu que se levantassem os parlamentares que priorizassem cidadãos americanos em relação a imigrantes ilegais. Os democratas permaneceram sentados. A deputada Ilhan Omar, de origem somali e representante de Minnesota — estado diretamente citado por Trump em acusações de fraude e criminalidade ligadas à comunidade somali —, chegou a gritar que o presidente mentia.
Na economia, Trump dedicou os primeiros 40 minutos a exaltar seu governo, afirmando ter herdado um país em crise e promovido uma virada histórica. Destacou queda na inflação, crescimento da renda e recordes na produção de energia. Criticou a decisão da Suprema Corte que derrubou tarifas impostas a parceiros comerciais, incluindo o Brasil, e anunciou uma nova taxa global de 15% sobre importados como resposta. Especialistas, porém, questionam a leitura otimista dos indicadores apresentados pelo presidente, e pesquisa da Associated Press aponta que apenas 39% dos americanos aprovam sua gestão econômica.