buildpress.com

O Oriente Médio acordou nesta segunda-feira (9) sob nova escalada militar. O Irã lançou sua quarta onda de ataques retaliatórios contra Israel nas primeiras horas da madrugada, enquanto forças israelenses bombardeavam simultaneamente “prédios do regime” no centro iraniano e infraestrutura do Hezbollah no bairro de Dahiyeh, em Beirute. A ofensiva iraniana ativou sirenes de alerta aéreo em todo o território israelense e acionou os sistemas de defesa aérea do país.

Segundo a agência semioficial Tasnim, os alvos incluíram Tel Aviv e o Deserto do Negev, com mísseis de última geração da Guarda Revolucionária Islâmica.

A nova ofensiva ocorre em um momento politicamente sensível: o Irã acaba de ungir Mojtaba Khamenei como novo líder supremo, em substituição a seu pai, Ali Khamenei, morto em um ataque coordenado entre EUA e Israel. A escolha foi feita pela Assembleia dos Especialistas, composta por 88 clérigos, sem eleição popular. Em comunicado, o grupo afirmou que Khamenei foi selecionado por “votação decisiva” e conclamou os iranianos a jurarem apoio ao novo líder. Como líder supremo, Mojtaba concentra os maiores poderes do Estado — comanda as Forças Armadas, declara guerra ou paz e define a política externa do país.

A violência já extrapolou as fronteiras do conflito direto. A Arábia Saudita registrou ontem suas primeiras mortes relacionadas à guerra: duas pessoas morreram e 12 ficaram feridas após um projétil militar cair em área residencial na cidade de Al-Kharj. As vítimas eram de nacionalidade indiana e bangladeshiana.

No campo diplomático, o presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizou que o encerramento da guerra será definido em conjunto com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. “A gente tem conversado. Eu vou tomar uma decisão na hora certa”, afirmou Trump em entrevista ao The Times of Israel, deixando claro, porém, que a palavra final ficará com Washington. Questionado se Israel poderia continuar a ofensiva mesmo após os EUA interromperem os ataques, o republicano foi categórico: “Eu não acho que vai ser necessário.”

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, havia declarado na sexta-feira que Washington esperava que a campanha militar durasse entre quatro e seis semanas — prazo que, diante da nova escalada, já parece otimista.

Veja também