tadalafila
Reprodução

O uso recreativo da tadalafila, medicamento indicado para tratar disfunção erétil, tem crescido entre homens jovens no Brasil e acendido um alerta entre médicos e especialistas em saúde sexual. O remédio, conhecido popularmente por marcas como Cialis, passou a circular fora do ambiente médico, sendo consumido por pessoas que não apresentam problemas de ereção e que buscam apenas melhorar o desempenho sexual ou prolongar relações.

Segundo especialistas, o uso sem prescrição pode provocar efeitos adversos importantes e mascarar problemas de saúde que exigiriam acompanhamento médico.

A tadalafila atua aumentando o fluxo sanguíneo no pênis ao relaxar os vasos sanguíneos, facilitando a ereção quando há estímulo sexual. O medicamento foi desenvolvido para pacientes com disfunção erétil e, em alguns casos, também é prescrito para tratar hiperplasia prostática benigna e hipertensão pulmonar.

Quando usado de forma indiscriminada, porém, pode provocar efeitos colaterais que vão além da simples dor de cabeça ou do rubor facial frequentemente associados ao remédio.

Riscos cardiovasculares

Um dos principais riscos apontados por especialistas está relacionado ao sistema cardiovascular. Como a tadalafila altera a circulação sanguínea, seu uso inadequado pode provocar queda de pressão, tontura e aumento da frequência cardíaca.

Em pessoas que possuem doenças cardíacas não diagnosticadas, o medicamento pode desencadear episódios mais graves.

Outro risco está na combinação do remédio com outras substâncias, especialmente álcool ou drogas recreativas, algo comum em contextos de festas e baladas.

Essa associação pode ampliar os efeitos do medicamento sobre a pressão arterial e aumentar a chance de complicações.

Dependência psicológica

Além dos riscos físicos, médicos alertam para um efeito menos discutido: a dependência psicológica.

Quando homens jovens passam a usar a medicação mesmo sem necessidade clínica, podem desenvolver a sensação de que só conseguem ter relações sexuais satisfatórias com ajuda do medicamento.

Esse processo pode gerar ansiedade de desempenho e, paradoxalmente, levar a dificuldades de ereção quando o remédio não está disponível.

Segundo especialistas em saúde sexual, esse fenômeno tem sido observado com frequência crescente em consultórios.

Fenômeno entre jovens

Nos últimos anos, o medicamento passou a circular com mais facilidade em academias, festas e ambientes universitários.

A popularização de conteúdos sobre desempenho sexual nas redes sociais e o acesso facilitado a medicamentos pela internet também contribuíram para o aumento do consumo sem acompanhamento médico.

Muitos usuários acreditam que o remédio apenas melhora a performance sexual e desconhecem os possíveis efeitos adversos.

Uso médico continua seguro

Especialistas ressaltam que a tadalafila é considerada segura quando utilizada de forma adequada e com orientação médica.

O medicamento possui indicação consolidada para pacientes com disfunção erétil e tem eficácia comprovada em diversos estudos clínicos.

O problema, segundo médicos, não está no remédio em si, mas no uso indiscriminado por pessoas que não precisam da medicação.

O alerta dos especialistas é que qualquer medicamento que interfira na circulação sanguínea deve ser utilizado com acompanhamento médico, especialmente em pessoas que podem ter condições cardiovasculares não diagnosticadas.

Veja também