Marcelo Camargo/ Agência Brasil

A mais recente pesquisa do Datafolha para o Senado em São Paulo reforçou o peso eleitoral de duas figuras centrais do governo federal, Fernando Haddad e Geraldo Alckmin, e pode influenciar diretamente a montagem do palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no principal colégio eleitoral do país para 2026.

O levantamento testou dois cenários distintos para a disputa ao Senado paulista. Em um deles, sem Alckmin, Haddad aparece na liderança com 30% das intenções de voto. Em outro, sem Haddad, o vice-presidente ocupa a primeira posição com 31%. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, aparece em segundo lugar nos dois cenários, enquanto nomes como Márcio França, Marina Silva e Guilherme Boulos compõem o bloco competitivo.

O resultado fortalece a posição de Haddad no tabuleiro político paulista justamente no momento em que o ministro confirmou que deixará o comando da Fazenda para disputar as eleições. Embora ainda não tenha definido oficialmente qual cargo pretende disputar, a tendência dentro do governo é que ele concorra ao governo estadual.

Haddad afirmou que a decisão será tomada em diálogo com Lula e que a definição da candidatura envolve também a composição mais ampla da chapa. “Não é só a candidatura. Você tem que ver o bloco de pessoas que vão compor a chapa”, afirmou o ministro, indicando que as negociações passam por um arranjo coletivo do campo governista no estado.

Nesse contexto, a pesquisa Datafolha amplia as possibilidades estratégicas do governo. Um cenário em que Haddad dispute o Palácio dos Bandeirantes permitiria ao grupo explorar outros nomes competitivos para o Senado, enquanto o próprio ministro aparece como alternativa forte caso a disputa seja redesenhada.

Alckmin, por sua vez, adotou tom cauteloso ao comentar o cenário eleitoral, mas reconheceu que o campo governista dispõe de vários nomes competitivos em São Paulo. Segundo ele, Haddad, França e Tebet são opções viáveis para representar a base de Lula. “Em São Paulo já temos o Fernando Haddad, que é um ótimo candidato; o Márcio França, que foi governador e ministro do presidente Lula; a Simone Tebet, que pode ir para São Paulo”, afirmou.

O vice-presidente também confirmou que deixará o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio dentro do prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral, embora tenha evitado confirmar qual cargo pretende disputar.

A leitura predominante entre aliados do governo é que os números da pesquisa ajudam a estruturar um palanque competitivo para Lula em São Paulo, estado historicamente mais adverso ao PT em disputas presidenciais. Ao reunir nomes com potencial eleitoral em diferentes posições — governo estadual, Senado e Câmara — a coalizão governista tenta montar uma chapa capaz de disputar espaço com o campo conservador liderado pelo atual governador Tarcísio de Freitas.

Nesse sentido, a pesquisa não apenas mede intenções de voto, mas funciona como instrumento de negociação política. O desempenho de Haddad e Alckmin indica que o governo federal possui ativos eleitorais relevantes no estado e abre margem para um arranjo mais amplo que combine competitividade eleitoral e equilíbrio interno entre os partidos da base.

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