Foto: Divulgação/Fiat

O setor automotivo passa por uma transformação acelerada, impulsionada pela digitalização, pelas metas globais de redução de carbono e, sobretudo, pela mudança no comportamento do consumidor. Nesse cenário, a modalidade de carro por assinatura deixou de ser um experimento para se consolidar como alternativa real à posse tradicional de veículos. Ao unir praticidade, previsibilidade de custos e flexibilidade, o modelo cresce de forma consistente no Brasil.

Dados da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla) mostram que a frota de veículos por assinatura saltou de 80 mil unidades em 2020 para mais de 300 mil em 2025, respondendo hoje por cerca de 12% da frota das locadoras.

A adesão crescente se explica por uma mudança cultural em curso. Pesquisas indicam que 45% dos Millennials e 55% da Geração Z não veem necessidade em possuir um carro, desde que tenham acesso a meios de transporte eficientes. No Brasil, os clientes de assinatura se concentram entre os 30 e 40 anos, majoritariamente urbanos, familiarizados com soluções digitais e interessados em comodidade. Profissionais autônomos, motoristas de aplicativos e executivos estão entre os principais perfis.

No segmento premium, a demanda também avança. A Osten GO, especializada em mobilidade, aponta que o modelo deixou de ser apenas solução prática para assumir papel de produto financeiro. Consultorias já recomendam a assinatura como alternativa vantajosa, pois libera o consumidor de compromissos de longo prazo e permite que o capital seja direcionado para investimentos de maior rentabilidade. Entre as marcas mais requisitadas nesse nicho estão BMW, Audi, Volvo e Porsche, com procura crescente inclusive por superesportivos como a Lamborghini.

Mercado em expansão

O mercado brasileiro é liderado por grandes locadoras como Localiza, Movida e Unidas, responsáveis por cerca de 60% dos contratos. Mas a concorrência das montadoras cresce a passos largos. Marcas como Renault, Volkswagen, Mercedes-Benz, Mitsubishi, GWM e BYD já atuam no setor.

A Fiat, em especial, lançou em 2024 o programa “Fiat por Assinatura”, substituindo o Flua, como aposta estratégica para disputar espaço. Disponível em 95% da rede de concessionárias, o serviço oferece seis modelos — do Mobi ao Fastback — em planos de 12 a 36 meses, com preços entre R$ 1.866 e R$ 3.299. O pacote inclui IPVA, seguro, revisões, assistência 24 horas e até carro reserva.

A ideia da montadora é disputar espaço em um mercado em expansão que eventualmente irá afetar o número de vendas de carros para o consumidor final.

A assinatura de veículos representa hoje um dos movimentos mais disruptivos do setor automotivo, com expansão média de 25% ao ano nos principais mercados europeus até 2030, segundo a Roland Berger. No Brasil, a modalidade já movimenta centenas de milhares de contratos e atrai tanto consumidores que buscam praticidade quanto aqueles que valorizam prestígio e flexibilidade.

Se no passado possuir um carro era sinônimo de status, hoje a lógica da mobilidade compartilha espaço com novas formas de consumo e planejamento financeiro.

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