Luiz Silveira/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta sexta-feira (13) para manter a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, dono do banco Master, preso desde 4 de março no âmbito da 3ª fase da Operação Compliance Zero. O placar foi construído na Segunda Turma da corte, com os votos dos ministros André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques. O ministro Gilmar Mendes ainda não se manifestou, e os integrantes têm até a próxima sexta-feira (20) para votar no plenário virtual.

Relator do caso, Mendonça foi o primeiro a votar e destacou que o banqueiro integra uma “perigosa organização criminosa armada”. Em seu voto, também determinou a manutenção das prisões de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, e de Marilson Roseno da Silva. Um terceiro preso, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, morreu após, segundo a Polícia Federal, atentar contra a própria vida logo após a detenção.

Esta é a primeira vez que o caso Master é analisado de forma colegiada pelo STF. Até agora, apenas decisões individuais dos relatores haviam sido proferidas nos processos.

O ministro Dias Toffoli, também integrante da Segunda Turma, se declarou suspeito por foro íntimo e não participará dos julgamentos relacionados à 3ª fase da operação. Toffoli era o relator original das investigações, mas deixou o caso após a PF elaborar relatório apontando conexões entre ele e Vorcaro. Entre os elementos levantados, a PF identificou que o ministro é sócio de uma empresa familiar que vendeu parte de um resort no Paraná a fundos ligados à Reag, empresa com conexões ao banqueiro.

De acordo com as investigações, o grupo criminoso atuava no monitoramento de pessoas para obter informações sigilosas de órgãos públicos. Mendonça também determinou o afastamento de dois diretores do Banco Central apontados pela PF como consultores de Vorcaro que recebiam propina. Vorcaro está recolhido na Penitenciária Federal de Brasília, onde cumpre período de adaptação de 20 dias.

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