
A rede elétrica nacional de Cuba entrou em colapso nesta segunda-feira (16), deixando praticamente toda a ilha sem energia e expondo a profundidade da crise energética que afeta o país caribenho. O apagão foi confirmado pela empresa estatal Unión Eléctrica (UNE), responsável pela operação do sistema elétrico cubano.
A interrupção atingiu cerca de 10 milhões de pessoas e ocorreu após uma desconexão total do Sistema Eletroenergético Nacional, segundo autoridades do Ministério de Energia e Minas. A causa exata do colapso ainda está sendo investigada, mas especialistas e autoridades apontam uma combinação de fatores estruturais, entre eles falta de combustível, falhas técnicas e o envelhecimento das usinas termoelétricas do país.
O episódio se soma a uma série de apagões registrados nos últimos anos e evidencia a fragilidade de um sistema energético que depende fortemente de importações de petróleo e de instalações construídas em grande parte durante o período soviético.
Dependência energética e falta de combustível
Cuba enfrenta uma escassez prolongada de combustíveis, agravada pela interrupção de remessas de petróleo venezuelano, historicamente um dos principais sustentáculos da matriz energética da ilha. Nos últimos meses, a chegada de carregamentos de combustível diminuiu drasticamente, deixando o país dependente de volumes limitados provenientes de parceiros como México e Jamaica.
O governo cubano afirma que o bloqueio econômico e as sanções energéticas impostas pelos Estados Unidos restringem a capacidade de importar petróleo e peças para manutenção das usinas, contribuindo para a deterioração do sistema elétrico.
Segundo o presidente Miguel Díaz-Canel, a ilha não recebe carregamentos significativos de combustível há meses, o que tem obrigado o país a operar com capacidade de geração muito abaixo da demanda nacional.
Sistema envelhecido e sucessivos apagões
A crise elétrica em Cuba não é um fenômeno recente. Desde 2024, o país registra apagões frequentes, alguns deles de alcance nacional, provocados por falhas em usinas termoelétricas, escassez de combustível e falta de peças de reposição.
Uma das principais vulnerabilidades do sistema está na usina termoelétrica Antonio Guiteras, considerada a maior do país, que já sofreu interrupções sucessivas nos últimos anos. Falhas nessa instalação têm provocado apagões que chegam a durar mais de 16 horas em algumas regiões.
O apagão desta semana é apontado como mais um capítulo de um ciclo de colapsos que se repetem desde 2024, período marcado por deterioração acelerada da infraestrutura energética.
Impacto social e protestos
A crise energética tem agravado o quadro econômico e social na ilha. Falta de eletricidade afeta hospitais, transporte, telecomunicações e atividades produtivas, além de agravar a escassez de alimentos e medicamentos.
Nas últimas semanas, apagões prolongados contribuíram para o aumento do descontentamento popular. Protestos foram registrados em diferentes cidades, incluindo ataques a prédios do Partido Comunista e manifestações contra a escassez de serviços básicos.
Organizações de direitos humanos apontam que o número de protestos na ilha aumentou significativamente nos primeiros meses de 2026, impulsionado pela deterioração das condições de vida e pela recorrência das interrupções no fornecimento de energia.
Crise energética e pressão política
O colapso da rede elétrica ocorre em um momento de tensão política crescente. Autoridades cubanas confirmaram recentemente a abertura de conversas com o governo dos Estados Unidos para tentar reduzir a pressão econômica e buscar soluções para a crise energética.
Enquanto isso, especialistas alertam que a recuperação do sistema elétrico cubano pode levar dias, já que reiniciar uma rede nacional completamente desligada é um processo técnico complexo.
A situação reforça o diagnóstico de que Cuba enfrenta uma das mais graves crises estruturais de sua história recente, em que fatores econômicos, energéticos e políticos se combinam para produzir instabilidade crescente.