
Aos 22 anos, Carlos Alcaraz já coleciona conquistas que o colocam em rota de colisão com os maiores nomes da história do tênis. Com seis títulos de Grand Slam no currículo — US Open 2022 e 2025, Wimbledon 2023 e 2024, Roland Garros 2024 e 2025 —, o espanhol apresenta números que rivalizam, e em alguns casos superam, o desempenho do lendário big three (Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic) na mesma fase das carreiras.
Na mesma idade, Federer tinha apenas um Grand Slam (Wimbledon 2003), conquistado aos 22 anos. O suíço, que encerraria a carreira com 20 títulos de majors, teve desenvolvimento mais tardio, explodindo após os 23 anos. Já Nadal contabilizava três troféus importantes aos 22 — Roland Garros 2005, 2006 e 2007, evidenciando precocidade em saibro, mas ainda distante dos 22 Grand Slams que acumularia.
Djokovic, por sua vez, só tinha na prateleira o Australian Open de 2008, conquistado aos 20 anos. O sérvio, hoje com 24 títulos de Grand Slam — recorde absoluto —, também precisou de mais tempo para deslanchar completamente.
Em Masters 1000, categoria que reúne os torneios mais prestigiosos abaixo dos Grand Slams, Alcaraz já soma seis títulos, incluindo Indian Wells e Miami, os principais torneios da categoria. Federer tinha três Masters 1000 aos 22 anos, enquanto Nadal contabilizava impressionantes 11 conquistas, dominando especialmente torneios em saibro. Djokovic possuía apenas um título de Masters 1000 nessa idade.
Nos Masters 500, Alcaraz soma seis troféus, números competitivos quando comparados ao trio histórico na mesma faixa etária. A diferença fundamental, porém, está no contexto: enquanto o Big Three construiu carreiras em momentos distintos, dividindo domínio por duas décadas, Alcaraz enfrenta o desafio de afirmar-se num tênis cada vez mais competitivo e fisicamente exigente.
Há números ainda mais impressionantes. Alcaraz soma 270 vitórias e 62 derrotas em sua carreira até o momento, resultando em um aproveitamento de 81,3%. Rafael Nadal foi quem mais se aproxima desse índice aos 22 anos. O conterrâneo de Alcaraz obteve 179 vitórias e 47 derrotas e um aproveitamento de 79,2%.
A precocidade do murciano impressiona não apenas pelos títulos, mas pela versatilidade, já que foi campeão rapidamente em todas as superfícies principais — quadra rápida, saibro e grama. Sua mistura de potência, velocidade e toque refinado lembra o melhor de seus antecessores.
Especialistas, porém, alertam que comparações prematuras podem criar expectativas irreais. Federer, Nadal e Djokovic não apenas venceram muito, mas mantiveram altíssimo nível por mais de 15 anos, algo que apenas a longevidade comprovará se Alcaraz alcançará.
Com a aposentadoria recente de Federer e Nadal, e Djokovic próximo do fim de carreira, Alcaraz surge como principal candidato a herdar o trono. O italiano Jannik Sinner e o brasileiro João Fonseca despontam como possíveis rivais históricos. Resta saber se o espanhol manterá a motivação e se seu corpo contribuirá com a longevidade em alto nível demandada para igualar o big three em grandeza absoluta.