O conflito no Oriente Médio atingiu nesta quinta-feira (19) a infraestrutura energética do Golfo Pérsico com uma intensidade sem precedentes desde o início da guerra. O Irã atacou refinarias e instalações de gás natural no Kuwait, na Arábia Saudita e no Qatar, em retaliação ao bombardeio israelense ao complexo de South Pars, que é o maior campo de produção de gás natural do mundo, ocorrido na véspera. A escalada imediata foi sentida nos mercados globais: o petróleo Brent superou US$ 115 por barril, maior patamar em mais de uma semana, enquanto o gás natural europeu chegou a disparar 35% na manhã desta quinta.
No Kuwait, drones iranianos atingiram simultaneamente as refinarias de Mina Al-Ahmadi e Mina Abdullah, operadas pela estatal do país. Incêndios em ambas as instalações foram controlados pelo serviço de bombeiros local. Na Arábia Saudita, um drone atacou a refinaria Aranco Samref, no porto de Yanbu, no Mar Vermelho, com danos ainda sendo avaliados pelo Ministério da Defesa saudita. No Qatar, duas instalações de gás natural foram atingidas, incluindo a Ras Laffan Industrial City. A QatarEnergy confirmou “incêndios consideráveis” no local e informou que os ataques destruíram 17% da capacidade de produção de GNL do país por um período estimado de três a cinco anos.
O ataque israelense a South Pars, segundo fontes americanas, foi realizado com aval da Casa Branca como forma de pressionar a reabertura do Estreito de Hormuz. O presidente Donald Trump, porém, afirmou na quarta-feira que os EUA “não sabiam de nada” sobre a ação. Na mesma noite, o Comando Central americano declarou ter atacado instalações de mísseis iranianas próximas ao Estreito, utilizando munições de penetração profunda de mais de 2,2 toneladas.
A crise geopolítica reverberou na diplomacia regional. Chanceleres e autoridades de 12 países árabes e islâmicos reunidos em Riad condenaram os ataques iranianos em declaração conjunta, criticando o uso de mísseis e drones contra áreas civis e infraestrutura estratégica, e cobraram do Irã respeito ao direito internacional.
Nos mercados, por volta das 11h10 desta quinta, o Brent acumulava alta de 6,58%, a US$ 114,45 por barril, após ter chegado a US$ 115,10 mais cedo. O petróleo WTI americano subia 1,05%, a US$ 96,46, mas chegou a ser negociado acima de US$ 100 durante a sessão.