O Paquistão atuou como intermediário na entrega de uma proposta de cessar-fogo dos EUA ao Irã, segundo informações divulgadas por autoridades iranianas e paquistanesas às agências Reuters e Associated Press nesta quarta-feira (25). O movimento ocorre em meio a versões contraditórias sobre a existência de negociações para encerrar o conflito em curso.

Uma autoridade iraniana de alto escalão confirmou à Reuters o recebimento da proposta, mas não detalhou seu conteúdo nem confirmou se se trata do plano de 15 pontos elaborado por Washington. Já autoridades paquistanesas afirmaram à Associated Press que o documento entregue corresponde exatamente a esse plano, que aborda temas sensíveis como o programa nuclear iraniano e o desenvolvimento de mísseis balísticos.

De acordo com reportagens de veículos como The New York Times e The Wall Street Journal, a proposta inclui compromissos do Irã de não desenvolver armas nucleares, limitar o alcance e a quantidade de seus mísseis e desativar instalações de enriquecimento de urânio em Natanz, Isfahan e Fordow. O plano também prevê o fim do financiamento a grupos aliados na região, como Hamas e Hezbollah, além da criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.

Em contrapartida, os EUA acenam com a suspensão de sanções econômicas e com a possibilidade de cooperação no desenvolvimento de um programa nuclear civil para fins pacíficos. Ainda segundo a imprensa internacional, o plano pode incluir um cessar-fogo inicial de 30 dias para viabilizar negociações mais amplas.

Apesar dos avanços diplomáticos, o cenário segue incerto. O presidente americano, Donald Trump, afirmou recentemente que o Irã “quer fazer um acordo”, enquanto Teerã nega qualquer negociação em andamento e acusa Washington de agir unilateralmente.

O Paquistão, que mantém relações tanto com os EUA quanto com o Irã, tem se oferecido como sede para possíveis negociações. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif chegou a propor oficialmente o país como local para encontros diplomáticos, iniciativa que foi repercutida por Trump nas redes sociais.

Outros mediadores também atuam nos bastidores. Segundo o The Wall Street Journal, Turquia, Egito e o próprio Paquistão trabalham para viabilizar uma reunião entre representantes de Washington e Teerã. Ainda não há confirmação oficial sobre datas ou participação das partes, nem clareza sobre o posicionamento de Israel no processo.

Enquanto isso, o conflito segue pressionando o cenário internacional, com impactos geopolíticos e econômicos, incluindo a volatilidade no mercado de energia e o aumento das tensões no Oriente Médio.

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