
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, oficializa nesta segunda-feira (30) sua candidatura à Presidência da República. O anúncio está marcado para as 16h, em entrevista coletiva na sede do Partido Social Democrático (PSD) em São Paulo. Recém-filiado à legenda de Gilberto Kassab, Caiado foi escolhido para ocupar a vaga deixada pelo governador do Paraná, Ratinho Júnior, que desistiu da disputa na semana passada.
A chegada de Caiado ao páreo encerra uma disputa interna no PSD que envolvia ainda o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Para definir o nome, o partido encomendou pesquisas qualitativas internas sobre o perfil dos pré-candidatos. Os levantamentos apontaram vantagens e desvantagens nos dois perfis: Caiado foi descrito como mais assertivo e combativo, características valorizadas pelo eleitorado de direita, enquanto Leite foi caracterizado como um “intelectual” e “menos popular” entre os eleitores consultados.
Curiosamente, uma das pesquisas internas indicava que Leite teria maior potencial de crescimento, com menos rejeição e capacidade de atrair votos tanto na centro-direita quanto na centro-esquerda. Ainda assim, a balança pendeu para Caiado. Pesou a seu favor a situação política em Goiás: ele deixa o governo estadual nesta terça-feira (31) sendo substituído por Daniel Vilela (MDB), líder nas pesquisas locais. Além disso, sua esposa, Gracinha Caiado, aparece à frente nas sondagens para a vaga de senadora pelo estado, o que garante ao grupo político uma presença no Legislativo Federal independentemente do resultado presidencial.
Caiado havia anunciado sua filiação ao PSD em 14 de março, em ato realizado em Jaraguá, a 120 km de Goiânia. Na ocasião, apresentou Vilela como seu candidato à sucessão no governo estadual. Antes disso, integrava o União Brasil. Ao migrar para o PSD junto com Leite e Ratinho Jr., o governador declarou que apoiaria quem quer que fosse escolhido como candidato do partido.
Há chances para a 3ª via?
Com Caiado na disputa, o cenário presidencial de 2026 se consolida em torno de uma polarização quase absoluta entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). É o que revela o mais recente levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência, realizado em parceria com o BTG Pactual e divulgado nesta segunda-feira. A pesquisa ouviu 2.000 eleitores entre os dias 27 e 29 de março, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é o de número BR-07875/2026.
No cenário principal de primeiro turno, Lula aparece com 41% das intenções de voto, contra 38% de Flávio Bolsonaro, configurando empate técnico dentro da margem de erro. Os candidatos da chamada terceira via têm desempenho residual: Caiado e Zema marcam 4% cada. Quando Eduardo Leite é testado no lugar de Caiado, há empate numérico entre Lula e Flávio, ambos com 39%, enquanto Leite registra 4% e Zema sobe a 5%.

No segundo turno, o cenário é ainda mais tenso: Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados com 46% cada, com 7% declarando voto em branco ou nulo. Contra outros adversários, o presidente leva vantagem: venceria Zema por 46% a 40%, Caiado por 46% a 41% e Leite por 46% a 36%.
A rejeição dos dois líderes é igualmente elevada e simétrica. Enquanto 49% dos entrevistados afirmam que não votariam em Lula “de jeito nenhum”, 48% dizem o mesmo em relação a Flávio Bolsonaro. Um dado que reforça o grau de divisão do eleitorado brasileiro. Entre os nomes da terceira via, Caiado e Zema registram 31% de rejeição, e Leite, 34%.
É justamente nesse ambiente de polarização e descontentamento que os aliados de Flávio Bolsonaro enxergam uma janela de oportunidade. O grupo projeta o que chamam de “tempestade perfeita”: a deterioração da imagem do Supremo Tribunal Federal — com ministros citados no escândalo envolvendo o banco Master — somada ao descontentamento crescente com a gestão Lula em razão da economia. O endividamento das famílias cresce, e o risco de alta nos preços dos combustíveis adiciona pressão ao cenário.
A tensão entre o Executivo e o STF também entra no cálculo bolsonarista. Lula não fez gestos públicos de defesa aos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes quando seus nomes foram associados ao escândalo do Master, o que, segundo aliados do senador, fragiliza as relações do presidente com o tribunal.
O plano da cúpula bolsonarista prevê eleger Flávio ao Planalto e o senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado. A pauta do impeachment de ministros do STF deve se tornar o principal mote das campanhas ao Legislativo e uma presidência do Senado sob controle bolsonarista seria peça-chave nessa estratégia, já que a abertura de processo de impeachment contra ministros da Corte cabe ao presidente da Casa.
Flávio Bolsonaro vem estruturando sua pré-candidatura desde dezembro, quando foi escolhido pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, como o nome do grupo para 2026. Diferentemente das campanhas anteriores do clã, a estratégia atual aposta em uma equipe profissionalizada, com especialistas de mercado nas áreas de marketing, jurídico e comunicação. A saída de Ratinho Jr. da corrida também é vista como um alívio, já que o governador paranaense poderia dividir parte do eleitorado de direita.