
O biomédico Luiz Teixeira da Silva Junior, que ficou conhecido após assinar um laudo falso utilizado para atacar Guilherme Boulos (PSOL-SP) durante a campanha eleitoral para a prefeitura de São Paulo de 2024, foi alvo de investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por suspeita de participação em um esquema que tentou desviar cerca de R$ 845 milhões do espólio do fundador do grupo educacional Unip/Objetivo. A apuração avançou nesta terça-feira (31), com pedido de prisão no âmbito da operação que investiga a produção e o uso de documentos falsos em disputa judicial de alto valor.
Segundo o Ministério Público, o investigado integra um grupo acusado de tentar interferir no processo de inventário por meio da apresentação de provas técnicas fraudulentas. A suspeita é que documentos com aparência pericial tenham sido utilizados para sustentar versões que favorecessem interesses específicos na disputa pela herança.
O caso envolve uma das maiores disputas patrimoniais em curso no país e levanta suspeitas sobre a utilização de laudos e pareceres técnicos como instrumento de manipulação processual.
Esquema envolvia documentos com aparência pericial
De acordo com as investigações, o grupo atuava na construção de documentos com linguagem técnica e aparência formal, inseridos nos autos como provas capazes de influenciar decisões judiciais. A estratégia, segundo promotores, buscava alterar o rumo do inventário e viabilizar o acesso indevido a parte do patrimônio.
O valor sob suspeita de tentativa de desvio gira em torno de R$ 845 milhões, dentro de um espólio ainda maior em disputa. A apuração aponta que a atuação não se limitava a um episódio isolado, mas fazia parte de uma tentativa estruturada de interferência no processo.
Outros investigados também são citados na operação, que busca identificar a extensão do esquema e possíveis conexões com práticas semelhantes em outros casos.
Laudo contra Boulos aparece como antecedente
O nome de Luiz Teixeira da Silva Junior já havia surgido em outro contexto, durante a campanha eleitoral de 2024, quando assinou um laudo utilizado para atacar o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP). O documento foi amplamente questionado à época e apontado como inconsistente.
Segundo as investigações, esse episódio não tem relação direta com a tentativa de desvio da herança, mas foi citado como antecedente na trajetória do investigado, reforçando a linha de apuração sobre o uso de documentos técnicos com potencial de impacto público.
Disputa judicial e risco institucional
O caso expõe fragilidades no uso e na validação de provas técnicas no sistema de Justiça, especialmente em processos de grande valor econômico. Documentos com aparência pericial tendem a ter peso relevante nas decisões, o que amplia o impacto de eventuais fraudes.
A investigação segue em andamento e busca dimensionar o alcance do esquema, identificar todos os envolvidos e verificar se houve tentativas semelhantes em outros processos judiciais. O desdobramento do caso deve influenciar o debate sobre mecanismos de controle e responsabilização na produção de provas técnicas no país.