
A Novonor anunciou nesta segunda-feira (15) a assinatura de um acordo de exclusividade com a gestora IG4 Capital para negociar a venda de sua participação no controle da Braskem, maior empresa petroquímica da América Latina. O movimento representa um avanço relevante em um processo que se arrasta há anos e pode provocar mudanças estruturais na governança e na estratégia da companhia.
A Braskem atua nos setores de petroquímica e química, com foco na produção de resinas termoplásticas, como polietileno e polipropileno, além de químicos básicos utilizados por indústrias de embalagens, construção civil, automotiva, têxtil, agronegócio e bens de consumo. A empresa tem operações no Brasil, Estados Unidos, México e Europa, e desempenha papel estratégico na cadeia industrial brasileira, tanto pelo volume de produção quanto pela integração com a Petrobras no fornecimento de insumos.
O acordo firmado prevê que a IG4 tenha um período de exclusividade para negociar a aquisição da participação da Novonor, que hoje detém o bloco de controle da Braskem. A proposta em discussão envolve a assunção de parte significativa das dívidas da Novonor, estimadas em cerca de R$ 20 bilhões, que têm como garantia ações da petroquímica. Caso a operação seja concluída, a Novonor deixaria o controle da empresa e passaria a deter apenas uma participação residual.
O que muda para a Braskem e para o mercado
Se confirmada, a entrada da IG4 no controle da Braskem levará a uma nova configuração societária, com a gestora dividindo o comando da companhia com a Petrobras, que já é uma das principais acionistas. Essa mudança exigirá a revisão dos acordos de acionistas e poderá alterar o equilíbrio de poder nas decisões estratégicas da empresa.
Para o mercado, o acordo é interpretado como uma tentativa de reduzir incertezas que vêm afetando a Braskem nos últimos anos. A indefinição sobre o controle acionário dificultava decisões de investimento, planejamento de longo prazo e a execução de projetos industriais em um setor marcado por ciclos de alta volatilidade e margens pressionadas.
A IG4, especializada em reestruturações e ativos industriais, é vista por analistas como um investidor com perfil financeiro e operacional, o que pode levar a ajustes na estratégia da Braskem, incluindo revisão de ativos, foco em eficiência e reorganização da governança. A Petrobras, por sua vez, acompanha o processo com interesse direto, dado seu papel como fornecedora de matérias-primas e sócia relevante da companhia.
Próximos passos da negociação
Com o acordo de exclusividade em vigor, a IG4 deverá aprofundar auditorias, negociar condições com bancos credores e discutir um novo modelo de governança com a Petrobras. A operação ainda depende da aprovação de conselhos de administração, credores e órgãos reguladores, e não há prazo definido para a conclusão.
A tentativa de venda do controle da Braskem faz parte do esforço da Novonor para reduzir seu endividamento e encerrar um ciclo iniciado antes da crise que atingiu o grupo. Se concretizada, a transação poderá marcar uma das principais mudanças recentes no setor industrial brasileiro, com impactos que vão além da petroquímica e atingem cadeias produtivas estratégicas da economia.