
O frágil acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza enfrenta sua primeira crise. Na terça-feira (14), o Hamas acusou o Exército israelense de violar o plano de paz do presidente americano Donald Trump, alegando que as Forças de Defesa de Israel assassinaram vários palestinos no enclave. Relatos indicam que cinco civis morreram na Cidade de Gaza após supostamente “cruzarem a linha amarela” que delimita a área de atuação das tropas israelenses.
O grupo fundamentalista apelou aos mediadores – Catar, Egito e Estados Unidos – para que monitorem a conduta de Israel. As negociações entram agora em fase crítica, discutindo a Fase 2 do acordo, que definirá a administração e proteção de Gaza. Majed al-Ansari, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, admitiu que “discussões difíceis” começaram sobre como garantir que não haverá mais guerras.
Enquanto isso, a dimensão da destruição em Gaza começa a ser quantificada. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) informou que mais de 80% de todos os prédios no território estão destruídos ou danificados, chegando a 92% na Cidade de Gaza. A organização descreve a situação como “devastadora”, com 55 milhões de toneladas de escombros para remover e 193 mil edificações afetadas.
A reconstrução representa um desafio histórico: estimativas da ONU apontam para custos entre US$ 70 e US$ 80 bilhões e um prazo de até 70 anos para restaurar completamente a infraestrutura. Jaco Cilliers, do PNUD, afirmou já haver “sinais encorajadores” de países dispostos a contribuir, embora o trabalho seja dificultado por munições não detonadas e corpos ainda soterrados nos escombros.