
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar ainda nesta semana o novo titular do Ministério da Justiça. O escolhido é Wellington César Lima e Silva, advogado ligado à Petrobras, atualmente integrante da área jurídica da estatal, segundo apuração da Folha de S.Paulo confirmada por fontes do Palácio do Planalto.
A nomeação ocorre após a saída de Ricardo Lewandowski, que deixou o cargo após pouco mais de três anos à frente da pasta. A troca abriu espaço para uma mudança de perfil no comando do ministério, em meio a avaliações internas de desgaste político e à necessidade de reorganização da agenda de segurança pública e da relação com o Judiciário.
Bastidores da escolha para a Justiça
De acordo com apuração do Metrópoles, Lima e Silva já vinha sendo discutido há dias nos bastidores do governo. Interlocutores relatam que houve conversas reservadas no Planalto e consultas informais a integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), o que indica que a escolha não foi improvisada.
O perfil técnico, discreto e sem histórico de militância partidária pesou a favor da indicação. No governo, a avaliação é de que o Ministério da Justiça precisa reduzir ruídos políticos e recuperar previsibilidade institucional, especialmente na interlocução com o STF, órgãos de controle e as forças de segurança.
Petrobras como credencial
A experiência na Petrobras é tratada como um dos principais ativos do indicado. À frente de uma das estruturas jurídicas mais complexas do país, o advogado lidou com ações bilionárias, disputas internacionais, arbitragem, compliance e governança corporativa, um histórico visto no Planalto como preparo para comandar uma pasta permanentemente judicializada.
Auxiliares do presidente avaliam que o Ministério da Justiça exige hoje mais capacidade de gestão técnica e articulação institucional do que protagonismo político. Nesse sentido, a escolha dialoga com a estratégia do governo de valorizar quadros com perfil administrativo e menor exposição pública.
Além da atuação na Petrobras, o jurista já integrou o núcleo central do governo ao atuar como secretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil no início da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), área responsável pela elaboração de decretos e portarias publicados no Diário Oficial da União (DOU) no início do 3° mandato de Lula.
Ele deixou o cargo para assumir a área jurídica da estatal, movimento visto como sinal de confiança administrativa, mas que também alimenta dúvidas internas sobre seu perfil político. Interlocutores avaliam que o ex-SAJ não tem o estilo mais combativo que parte do governo considera necessário em um ano pré-eleitoral, o que poderia dificultar tanto a gestão quanto a narrativa política do Planalto sobre o tema.
A articulação em torno de seu nome tem sido conduzida pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, com apoio do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado por Lula ao Supremo Tribunal Federal, todos aliados próximos e também ligados à Bahia.
Contexto da sucessão
A saída de Lewandowski marcou o encerramento de uma fase caracterizada por forte capital jurídico e simbólico, mas também por críticas quanto à articulação política da pasta e à condução de temas sensíveis ligados à segurança pública, sistema prisional e Polícia Federal.
Com a troca, o Planalto busca sinalizar estabilidade e reorganização, em um momento de pressão do Congresso por respostas na área criminal e de debates sobre endurecimento penal e uso de forças federais em operações de segurança nos estados. Até a definição do substituto, o presidente Lula nomeou o secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida como ministro interino do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Desafios no horizonte
Wellington César Lima e Silva deve assumir o cargo em um cenário de disputas federativas, avanço do crime organizado, judicialização de políticas públicas e vigilância constante do Legislativo. A expectativa no governo é de que o perfil técnico ajude a reduzir tensões e a reequilibrar a atuação institucional do ministério.
A confirmação oficial do nome é aguardada para os próximos dias, após ajustes finais de bastidores e aval direto do presidente.