
A agressão a um casal de turistas em Porto de Galinhas, um dos destinos mais visitados do litoral nordestino, transformou um fim de semana de lazer em um episódio de violência que ganhou repercussão nacional. O caso, ocorrido na noite de sábado (27), passou a ser investigado pelas autoridades estaduais e levou a Prefeitura de Ipojuca a interditar por sete dias a barraca onde aconteceram as agressões, como medida administrativa. A Polícia da cidade também pediu o afastamento dos funcionários envolvidos até a investigação sobre o caso ser concluída.
A divulgação de vídeos do ataque aos empresários Johnny Andrade e Cleiton Zanatta foram registrados por testemunhas e compartilhados nas redes sociais, provocando a reação imediata de autoridades, entidades de direitos humanos e representantes do setor turístico. Diante dos relatos das vítimas, a polícia apura a possibilidade de que a agressão tenha sido motivada por homofobia, hipótese que ampliou o alcance do caso para além do âmbito local.
Como ocorreu a agressão
Segundo relatos do casal e imagens que circularam nas redes, os turistas foram cercados e agredidos fisicamente após uma discussão no local sobre o valor de cadeiras e barracas de praia. Os vídeos mostram a participação de várias pessoas, incluindo funcionários do estabelecimento, enquanto outros frequentadores tentavam intervir.
As vítimas precisaram de atendimento médico e registraram ocorrência após o episódio. A dinâmica exata da confusão ainda está sendo apurada pelas autoridades.
Em outro vídeo divulgado nas redes sociais, Johnny e Cleiton afirmaram que pretendem ingressar com ações judiciais contra a prefeitura, o governo de Pernambuco e contra os envolvidos nas agressões. Segundo o casal, parte dos agressores já foi identificada, e os relatos recebidos após a repercussão do caso indicam que episódios semelhantes ocorrem com frequência na região. Para eles, além dos autores diretos da violência, o poder público também deve ser responsabilizado por omissão.
As vítimas dizem ter recebido inúmeras mensagens de solidariedade e esperam que a visibilidade do caso resulte em medidas efetivas para evitar novas ocorrências. Cleiton afirmou que vive há mais de quatro décadas em Cuiabá e atua como empresário no setor educacional, enquanto Johnny mora na cidade há cerca de dez anos. Segundo ele, o casal já viajou por diversos destinos no país e no exterior, mas nunca havia vivenciado situação semelhante. A expectativa, afirmam, é de que as autoridades avancem na investigação e adotem providências concretas para garantir a segurança de moradores e turistas.
Suspeita de homofobia
De acordo com o depoimento prestado à polícia, a agressão teria ocorrido após demonstrações de afeto entre o casal, o que levou os investigadores a tratarem a suspeita de homofobia como uma das principais linhas de investigação. A motivação discriminatória ainda não foi confirmada oficialmente, mas segue sob análise no inquérito.
Caso a hipótese seja comprovada, os envolvidos poderão responder por crime motivado por preconceito, o que pode resultar em agravamento das penas previstas em lei.
Interdição e investigação
Após a repercussão do caso, a barraca foi interditada por sete dias por decisão da prefeitura de Ipojuca e os funcionários envolvidos devem ser afastados até a investigação sobre o caso ser concluído. Segundo a administração municipal, a medida tem caráter preventivo e busca garantir a apuração dos fatos, além de evitar novos episódios de violência no local.
A Polícia Civil de Pernambuco instaurou inquérito para identificar todos os envolvidos, ouvir testemunhas e analisar imagens de câmeras de segurança e registros feitos por frequentadores da praia. A investigação apura tanto a dinâmica das agressões quanto a eventual motivação discriminatória.
Governadora se pronuncia
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, se manifestou publicamente sobre o caso e afirmou que determinou rigor na apuração. Segundo ela, o estado não tolera qualquer forma de violência ou discriminação, especialmente em locais de grande circulação turística.
“Pernambuco é uma terra acolhedora e não admite nenhum tipo de violência. Por isso, o nosso governo atua de forma firme para garantir a segurança pública, não apenas em Porto de Galinhas, mas em todos os destinos turísticos do Estado”, declarou em entrevista a uma rádio local.
A governadora declarou que os responsáveis devem ser identificados e punidos conforme a lei e ressaltou que Pernambuco precisa garantir segurança tanto para moradores quanto para visitantes, independentemente de orientação sexual.
Barraqueiros reagem
Após a repercussão nacional, barraqueiros de Porto de Galinhas divulgaram um vídeo afirmando que a agressão foi um episódio isolado e que não representa a conduta da maioria dos trabalhadores da praia. Eles deram outra versão do caso e declararam repudiar qualquer forma de violência ou discriminação, destacando que vivem do turismo e do acolhimento de visitantes.
Os permissionários também afirmaram colaborar com as investigações e defenderam que eventuais responsabilidades sejam apuradas individualmente, sem generalizações que prejudiquem todo o setor.
Repercussão nacional
O caso gerou manifestações de parlamentares, organizações da sociedade civil e entidades de defesa da população LGBTQIA+, que cobraram celeridade nas investigações e punição dos responsáveis. A repercussão ampliou o debate sobre segurança em destinos turísticos e sobre a necessidade de ações preventivas contra a violência motivada por discriminação em espaços públicos.
As investigações seguem em andamento, e novas medidas administrativas ou judiciais poderão ser adotadas conforme o avanço das apurações.