
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), anunciou nesta quarta-feira (29) a instalação, na próxima terça-feira (4), da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. A decisão foi tomada um dia após a megaoperação contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro, considerada a mais letal da história do estado, com mais de 120 mortes.
“Determinei a instalação da CPI do Crime Organizado para a próxima terça-feira (4), em entendimento com o senador Alessandro Vieira (MDB-SE)”, afirmou Alcolumbre. O senador sergipano é o proponente da comissão, que irá apurar a estruturação, a expansão e o funcionamento do crime organizado, com foco na atuação de milícias e facções.
“É hora de enfrentar esses grupos criminosos com a união de todas as instituições do Estado brasileiro, assegurando a proteção da população diante da violência que ameaça o país”, completou o presidente do Senado.
Operação no Rio deflagra debate
A operação das Polícias Militar e Civil nos Complexos do Alemão e da Penha, realizada na terça-feira (28), resultou em mais de 100 prisões e 119 mortos, segundo o governo do estado. A ação reacendeu o debate sobre políticas de segurança pública e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, entregue ao Congresso Nacional em abril e que aguarda votação na Câmara dos Deputados.
O líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), criticou o governo federal, afirmando que não teria atendido a pedidos do governo do Rio de Janeiro para a operação. Segundo ele, não é a PEC da Segurança que vai resolver o problema, pois a proposta daria “uma espécie de domínio para o governo federal”.
Marinho disse que o presidente Lula tem “uma visão bizarra” sobre segurança pública que “tem muito mais a ver com a proteção aos criminosos” e com “o desprezo pelos direitos da sociedade brasileira”. “O que está acontecendo no Rio de Janeiro é uma ponta de iceberg. Nós lamentamos a letalidade, que morram tantas pessoas. Mas você imaginar que vai chegar em territórios faccionados para prender líderes, não vai acontecer”, declarou.
O senador Izalci Lucas (PL-DF) também criticou o que chamou de falta de política de Estado, afirmando achar difícil que a PEC da Segurança seja aprovada da forma como foi enviada. “O governo quer é criar uma polícia deles. A gente precisa tomar muito cuidado. O tráfico está tomando conta por falta de política pública”, declarou.
Defesa da PEC
Por outro lado, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) afirmou que a operação policial no Rio mostra a necessidade de aprovação urgente da PEC da Segurança. “Trabalhadoras e trabalhadores moram nas favelas e vivem aterrorizados com o crime organizado e a atuação das milícias. Garantir a vida e a segurança deve ser interesse de todos. A morte e o terror jamais devem ser banalizados”, registrou.
O senador Humberto Costa (PT-PE) declarou que a população do Rio não pode ser refém de um terror que se disfarça de “combate ao crime”, afirmando que “enquanto a segurança colapsa, o governo estadual se esconde em discursos políticos”.