alcolumbre
Jefferson Rudy/Agência Senado

O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu nesta quinta-feira (21) não realizar a leitura do requerimento de criação da CPMI do Banco Master durante a sessão conjunta do Congresso. A decisão frustrou parlamentares da oposição e ampliou a pressão sobre o senador, acusado por aliados do bolsonarismo de tentar impedir o avanço das investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e as conexões políticas do caso.

Segundo a revista Veja, Alcolumbre informou previamente a líderes partidários que a sessão desta quinta teria pauta restrita à análise de vetos presidenciais, especialmente o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao trecho da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) relacionado a municípios inadimplentes.

Nos bastidores, porém, parlamentares da oposição afirmam que a decisão teve motivação política e buscou evitar desgaste adicional ao Congresso em meio à crise envolvendo o Banco Master, o Supremo Tribunal Federal (STF) e integrantes da direita bolsonarista.

Oposição acusa “omissão” e ameaça judicializar caso

O pedido de CPMI do Banco Master reúne mais de 280 assinaturas entre deputados e senadores, número acima do mínimo constitucional exigido para abertura da comissão. Mesmo assim, a instalação depende da leitura formal do requerimento em sessão conjunta do Congresso — etapa controlada diretamente por Alcolumbre.

Parlamentares da oposição passaram os últimos meses pressionando o presidente do Senado a avançar com a comissão. Em abril, o senador Eduardo Girão chegou a apresentar uma notificação extrajudicial afirmando que a instalação da CPMI seria “obrigação constitucional” e não uma decisão política discricionária.

O deputado Kim Kataguiri também acionou o STF pedindo que Alcolumbre fosse obrigado judicialmente a instalar a comissão. Integrantes do PL e do Novo passaram a acusar o presidente do Congresso de promover “blindagem institucional” em favor de figuras ligadas ao caso Master.

Caso Banco Master se tornou epicentro político em Brasília

O escândalo envolvendo o Banco Master se transformou em uma das principais crises políticas e financeiras do país em 2026. O banco entrou em liquidação após operações da Polícia Federal apontarem suspeitas de fraudes financeiras, empréstimos consignados irregulares, movimentações bilionárias sem lastro e conexões políticas com integrantes do Judiciário, empresários e parlamentares.

As investigações passaram a atingir diretamente o entorno do bolsonarismo após reportagens revelarem relações entre Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro. O caso ganhou dimensão ainda maior depois da divulgação de mensagens e áudios ligados ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.

Nos últimos meses, pedidos de CPI e CPMI passaram a se misturar à disputa política em torno das penas de Bolsonaro, das relações entre Congresso e STF e das tentativas da oposição de desgastar ministros da Corte ligados ao caso Master.

Alcolumbre tenta evitar nova crise institucional

Aliados de Alcolumbre afirmam reservadamente que o presidente do Congresso tenta evitar uma escalada institucional semelhante à ocorrida durante a CPMI do INSS, marcada por vazamentos, confrontos entre parlamentares e disputas judiciais envolvendo ministros do STF.

Há também receio de que uma CPMI do Banco Master aprofunde o conflito entre Congresso e Supremo, já que parte das investigações passou a envolver relações de empresários investigados com ministros da Corte e integrantes do Judiciário.

Mesmo sem leitura do requerimento nesta quinta-feira, a oposição promete manter pressão sobre Alcolumbre nas próximas semanas. Parlamentares ligados ao PL avaliam novas ações no STF e ameaçam transformar a CPMI em uma das principais bandeiras políticas da direita em 2026

Veja também