
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou que “ameaçar nossa soberania é declarar guerra” após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerir em 2 de dezembro que países produtores de cocaína poderiam ser alvo de ataques militares. A declaração foi publicada nas redes sociais e ampliou a crise que marca as relações entre os dois países desde o início do segundo mandato de Trump.
“Venha, senhor Trump, à Colômbia, eu o convido, para que participe da destruição dos 9 laboratórios diários que realizamos para que a cocaína não chegue aos EUA. Sem mísseis destruí no meu governo 18.400 laboratórios, venha comigo e lhe ensino como são destruídos, 1 laboratório a cada 40 minutos”, declarou o colombiano. “Mas não ameace nossa soberania, porque despertará o Jaguar. Atacar nossa soberania é declarar guerra, não prejudique 2 séculos de relações diplomáticas”, completou Petro.
Durante reunião de gabinete na terça-feira, o presidente americano disse que ações militares terrestres contra a Venezuela “começariam muito em breve” e afirmou que qualquer país que produzisse drogas ilegais destinadas aos Estados Unidos, citando nominalmente a Colômbia, seria considerado alvo potencial. A fala ocorreu no contexto da intensificação das operações antidrogas anunciadas pelo governo americano desde agosto.
Deterioração da relação bilateral
Colômbia e Estados Unidos são aliados tradicionais na política antidrogas desde os anos 1990, mas a relação se desgastou desde janeiro de 2025. No início do ano, Petro barrou a entrada de aviões americanos que transportavam colombianos deportados, sob argumento de que o procedimento violava garantias de dignidade no retorno. O impasse foi revertido dias depois, mas marcou o primeiro atrito direto entre os governos.
O desgaste aumentou em setembro, quando, após participar da Assembleia Geral da ONU, Petro aderiu a um protesto pró-Palestina em Nova York e afirmou que militares americanos deveriam desobedecer ordens de Trump caso implicassem “atacar a humanidade”. O Departamento de Estado revogou seu visto semanas depois. Desde então, Trump passou a acusar Petro, sem apresentar evidências, de ser responsável por estimular o aumento da produção de cocaína no país.
Escalada regional e mobilização militar
As declarações de Trump acontecem num cenário de maior presença militar americana no Caribe. Desde agosto, o Pentágono mobilizou cerca de 15 mil militares na região e realizou ataques contra embarcações consideradas ligadas ao tráfico. Trump afirmou que operações terrestres na Venezuela devem começar “muito em breve” e que ações semelhantes podem atingir países que, segundo ele, produzem cocaína destinada ao mercado americano.
Petro reagiu convidando Trump a visitar a Colômbia para acompanhar operações de destruição de laboratórios clandestinos. Segundo o governo colombiano, estruturas de produção são desativadas a cada 40 minutos.
Conexão com o caso Honduras
A resposta de Petro ocorreu horas depois de Trump perdoar o ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, condenado por tráfico de drogas e corrupção. Hernández havia sido sentenciado a 45 anos de prisão por facilitar o envio de cocaína aos Estados Unidos. Trump classificou a investigação, iniciada antes de seu primeiro mandato, como “uma caça às bruxas de Biden”.
A Casa Branca não detalhou se a ameaça de ação militar se limitará à Venezuela nem os eventuais parâmetros operacionais mencionados por Trump.