
O assessor especial de política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Celso Amorim, afirmou que uma eventual invasão dos Estados Unidos à Venezuela poderia desencadear um conflito de grandes proporções na América do Sul. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Amorim classificou como “ato de guerra” e “totalmente ilegal” a recente decisão de Donald Trump de ordenar o fechamento do espaço aéreo venezuelano. Uma medida que, segundo ele, aumenta o risco de confrontos nas próximas semanas.
Amorim comparou um possível ataque americano ao conflito do Vietnã, argumentando que a reação regional seria inevitável. Ele afirmou que até governos críticos ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, tenderiam a se unir contra uma intervenção estrangeira. “Nosso continente existe graças à resistência a invasores”, disse.
Apesar de não reconhecer a vitória eleitoral de Maduro, o Brasil rejeita qualquer tentativa de mudança de regime pela força. Amorim reiterou que uma eventual saída do mandatário deve ser decisão interna, sem imposições externas. “Se cada eleição questionável justificasse uma invasão, o mundo estaria em chamas”, afirmou.
O diplomata evitou especular sobre um possível exílio de Maduro no Brasil, mas lembrou que o país já concedeu asilo a líderes depostos, como o equatoriano Lucio Gutiérrez, em 2005.
Amorim disse esperar que Trump adote uma solução diplomática e sugeriu a realização de um referendo sobre a permanência de Maduro. A tensão entre EUA e Venezuela permanece elevada, com navios de guerra americanos na região e um ultimato recente dado por Trump para que Maduro deixe o poder.