fígado
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira (15), o uso da semaglutida para o tratamento da gordura no fígado com inflamação, uma condição comum e muitas vezes silenciosa, ligada ao excesso de peso e a problemas metabólicos. A autorização vale para adultos com quadros mais avançados da doença, mas que ainda não desenvolveram cirrose.

A semaglutida já é conhecida do público por seu uso no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Agora, passa a ser indicada também para pacientes que acumulam gordura no fígado acompanhada de inflamação, situação que pode evoluir lentamente e causar danos graves ao órgão ao longo dos anos.

Uma doença comum, mas pouco falada

Especialistas estimam que cerca de 3 em cada 10 adultos tenham algum grau de gordura no fígado. Em muitos casos, o problema não causa sintomas claros e só é descoberto em exames de rotina. Parte dessas pessoas desenvolve inflamação no órgão, o que aumenta o risco de cicatrizes no fígado, cirrose e até câncer hepático.

O crescimento da obesidade, do sedentarismo e do diabetes tem feito esse tipo de doença se tornar cada vez mais comum. Por isso, médicos consideram a aprovação de novos tratamentos um passo importante para ampliar as opções de cuidado, especialmente para quem não consegue controlar o problema apenas com mudanças no estilo de vida.

O que muda com a nova indicação

A semaglutida atua ajudando a regular o apetite e o metabolismo, o que favorece a perda de peso e melhora o funcionamento do organismo como um todo. Com isso, há redução do acúmulo de gordura no fígado e diminuição da inflamação. Estudos mostram que, em parte dos pacientes, o fígado apresenta melhora mesmo quando a perda de peso não é muito grande.

Até agora, o tratamento da gordura no fígado se baseava quase exclusivamente em alimentação equilibrada, atividade física e controle de doenças associadas, como diabetes e colesterol alto. A liberação do medicamento amplia as alternativas para casos mais complexos.

Médicos ressaltam que o remédio não substitui hábitos saudáveis e deve ser usado com acompanhamento profissional. Os efeitos colaterais mais comuns são enjoos e desconfortos gastrointestinais, especialmente no início do tratamento.

Com a decisão da Anvisa, o Brasil passa a contar com uma nova ferramenta para enfrentar uma condição que afeta milhões de pessoas e que, muitas vezes, só chama atenção quando já está em estágio avançado.

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