
Após 3 anos e 8 meses à frente do Ministério da Justiça, Ricardo Lewandowski entregou nesta quinta-feira (8) a carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No documento, o ministro alegou razões pessoais para deixar o cargo e afirmou que considera encerrada sua missão à frente da pasta.
Na carta, Lewandowski agradeceu a confiança do presidente e destacou que assumiu o ministério em um momento de reconstrução institucional, após os ataques às sedes dos Três Poderes em janeiro de 2023. Segundo ele, o período foi marcado pela defesa do Estado Democrático de Direito e pela normalização das relações entre o ministério e os demais Poderes.
Interlocutores do governo afirmam que, embora a carta cite motivos pessoais, a saída também ocorre em um contexto de desgaste político e de cobranças internas por maior articulação com o Congresso Nacional. Parlamentares vinham apontando dificuldades no diálogo com a pasta, especialmente em temas ligados à segurança pública e à tramitação de projetos considerados prioritários.
Bastidores
Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é de que a troca no comando do ministério pode facilitar a interlocução política e integrar um movimento mais amplo de ajustes na equipe ministerial, em um momento de reorganização da base governista.
Lewandowski assumiu o Ministério da Justiça no início do atual governo, após deixar o Supremo Tribunal Federal (STF), onde atuou por mais de três décadas, incluindo dois mandatos como presidente da Corte. Sua gestão foi marcada por uma atuação de perfil jurídico, com foco institucional, e menor exposição política.
O presidente Lula ainda não anunciou quem assumirá o comando do ministério. A definição deve ocorrer nos próximos dias e faz parte de uma discussão mais ampla sobre mudanças na Esplanada dos Ministérios.