
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) cobraram explicações da Câmara dos Deputados após relatos de empurrões da Polícia Legislativa contra profissionais de imprensa e do corte da transmissão da TV Câmara durante a retirada do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) do Plenário em 9 de dezembro. O episódio provocou reação de entidades e levou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a avaliar medidas relacionadas à conduta do presidente da Câmara, Hugo Motta.
Vídeos registrados no plenário mostram agentes da Polícia Legislativa ordenando que jornalistas recuassem. Diante da permanência dos profissionais na área de cobertura, os policiais passaram a empurrá-los para abrir passagem até a mesa diretora, de onde Glauber Braga foi retirado após ocupar a cadeira da presidência em protesto contra a votação de seu processo de cassação e contra o avanço do projeto que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Durante a operação, o sinal da TV Câmara foi interrompido. Jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas relataram que foram orientados a deixar o espaço, o que impediu o registro integral do episódio.
Censura
A Fenaj e o SJPDF afirmaram que a retirada dos profissionais e a interrupção da transmissão comprometem o direito de informação e a transparência do Legislativo. As entidades classificaram o episódio como cerceamento ao trabalho jornalístico, cobraram explicações formais da Mesa Diretora e defenderam responsabilização dos envolvidos.
Outras organizações ligadas à imprensa também criticaram o corte da transmissão e a restrição ao acesso, ressaltando que a TV Câmara é um instrumento público destinado a registrar integralmente as sessões do plenário.
Hugo Motta confirma ordem de retirada e Gonet avalia medidas
Hugo Motta confirmou que determinou a retirada do parlamentar e afirmou ter solicitado a apuração de “possíveis excessos” cometidos pelos agentes durante a ação. Em nota, a presidência da Câmara classificou como “inadequada”, “antirregimental” a postura de Glauber Braga. Segundo a Casa, a postura comprometeu os trabalhos legislativos.
“O presidente da Câmara, Hugo Motta, lamenta os transtornos causados aos profissionais de comunicação e reafirma que não houve intenção de limitar o exercício da atividade jornalística. As informações apresentadas pelos jornalistas serão incorporadas à apuração em andamento a fim de identificar eventuais excessos nas providências adotadas ao longo do processo de retomada dos trabalhos”, diz a nota da Câmara.
Após o episódio, arlamentares registraram representações contra o presidente da Câmara, e a Procuradoria-Geral da República (PGR) avalia medidas cabíveis diante da condução do episódio e da interrupção da transmissão oficial. O procurador-geral Paulo Gonet agora avaliará possíveis medidas sobre o caso.
Segundo relatos, jornalistas agredidos foram recebidos posteriormente pelo presidente da Câmara, que ouviu depoimentos e justificou a decisão como necessária para restabelecer a ordem da sessão.
Repercussões
Glauber Braga informou que registrará boletim de ocorrência e afirmou novamente que é alvo de perseguição política devido a denúncias que apresentou contra o orçamento secreto e contra a antiga gestão da Casa.
As entidades de imprensa afirmam que continuarão acompanhando o caso e defendem que episódios que limitem a transparência ou que impeçam o exercício profissional devem ser apurados com rigor, por se tratarem de princípios essenciais ao funcionamento do Legislativo e ao direito de informação da sociedade.