Ataque - EUA
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O ataque a tiros contra dois integrantes da Guarda Nacional na tarde de quarta-feira (26/11), no centro de Washington, nos EUA, a poucos metros da Casa Branca, reposicionou o tema da segurança pública no centro do debate político dos Estados Unidos e intensificou a discussão sobre a política migratória adotada após a retirada das tropas americanas do Afeganistão em 2021.

O autor dos disparos, um cidadão afegão de 29 anos que ingressou no país por meio de programas de reassentamento voltados a ex-colaboradores das forças americanas, foi ferido e detido no local. As vítimas, vinculadas à Guarda Nacional da Virgínia Ocidental, permanecem internadas em estado crítico em hospitais distintos da capital. Segundo as autoridades, o ataque ocorreu durante uma ação de patrulhamento de rotina em uma área considerada sensível por sua proximidade com prédios federais.

Juramento feito um dia antes

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Agentes baleados em ataque seguem em estado crítico – Reprodução/Redes Sociais

Os dois agentes, com idades entre 20 e 24 anos, haviam prestado juramento oficial à Guarda Nacional menos de 24 horas antes do atentado, segundo autoridades militares. A morte de sarah foi confirmada no fim da quinta-feira (27).

Ambos estavam em seu primeiro dia completo de serviço operacional em Washington, após cerimônia formal realizada na terça-feira (25). De acordo com informações divulgadas por órgãos de defesa, os soldados integravam uma unidade recém-incorporada ao contingente enviado à capital e exerciam funções de vigilância preventiva, sem participação prévia em operações urbanas de alto risco.

Os militares atuavam em postos de controle e monitoramento em áreas de circulação intensa, como estações de metrô e perímetros de prédios federais, com atribuições voltadas à contenção, observação e apoio logístico às forças policiais locais. Embora armados, não possuíam poderes plenos de prisão, desempenhando papel auxiliar à segurança pública em razão da mobilização extraordinária determinada pelo governo federal.

Motivação em análise

O FBI conduz a investigação sob a hipótese de possível terrorismo doméstico. Até o momento, não há confirmação de ligações do suspeito com organizações extremistas nem indícios de participação de outros envolvidos. Autoridades afirmam que o ataque teve características de emboscada e que o agressor aparentemente agiu sozinho. O caso ainda passa por análise de motivações, histórico do suspeito e eventuais conexões externas.

O episódio ocorre em um contexto de militarização da segurança em Washington. Desde agosto, mais de dois mil membros da Guarda Nacional foram mobilizados por ordem do presidente Donald Trump, sob a justificativa de conter uma suposta escalada da criminalidade na capital, argumento contestado pela prefeitura e por autoridades locais de segurança. Na semana anterior ao ataque, uma decisão judicial determinou o encerramento da operação, mas concedeu prazo para que o governo federal se manifestasse ou recorresse.

Após o atentado, Trump classificou o episódio como “ato de terror” e atribuiu responsabilidade à política migratória de administrações anteriores, defendendo a revisão ampla dos processos de triagem de afegãos que ingressaram no país nos últimos anos. Em resposta, o governo determinou a suspensão do processamento de pedidos de imigração de cidadãos do Afeganistão, medida que atinge tanto novos solicitantes quanto casos em análise.

Impacto para refugiados nos EUA

A decisão gerou reações de entidades de direitos civis e organizações humanitárias, que alertam para o risco de generalização e impacto sobre refugiados que colaboraram com as forças norte-americanas durante a guerra e que fugiram do país após a retomada do poder pelo Talibã. Esses grupos defendem que o caso seja tratado de forma individualizada e dentro dos marcos legais já estabelecidos para proteção internacional.

Paralelamente, o Departamento de Defesa dos EUA autorizou o envio de mais 500 soldados da Guarda Nacional para Washington, ampliando o contingente em operação. A medida reforça o debate sobre os limites do uso das Forças Armadas em funções de policiamento urbano e sobre a relação entre segurança pública, governança local e intervenção federal.

O ataque passa a integrar uma sequência recente de episódios que tensionam a discussão sobre terrorismo doméstico, imigração e uso político da segurança nos Estados Unidos, em um cenário marcado por forte polarização e pela disputa narrativa em torno do controle das fronteiras e da presença militar em áreas civis.

Revisão de Green Cards

Como uma das primeiras decisões após o ataque a tiros contra dois integrantes da Guarda Nacional próximo à Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou a revisão de todos os Green Cards concedidos a cidadãos de 19 países, em uma medida que o governo classificou como “completa e rigorosa”.

A ordem atinge imigrantes oriundos de Afeganistão, Chade, Congo, Eritreia, Guiné Equatorial, Haiti, Irã, Iêmen, Líbia, Mianmar, Somália, Sudão, Burundi, Cuba, Laos, Serra Leoa, Togo, Turcomenistão e Venezuela. Segundo autoridades do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos, a decisão busca reavaliar processos de concessão considerados sensíveis e retomar critérios mais restritivos adotados pela administração federal.

Além da revisão dos vistos de residência permanente, o governo também informou que será feita uma reanálise de pedidos de asilo aprovados entre 2021 e 2025, sob a gestão anterior. Trump afirmou que as medidas visam proteger a segurança nacional e responsabilizar políticas migratórias que, segundo ele, fragilizaram os filtros de controle na entrada de estrangeiros em território americano.

Confirmação da morte agrava caso

Com a confirmação da morte da militar Sarah Beckstrom, de 20 anos, o ataque ocorrido nas imediações da Casa Branca passou a ser tratado pelas autoridades como um atentado com resultado fatal, intensificando a resposta do governo federal em Washington. O presidente Donald Trump afirmou que o autor dos disparos, Rahmanullah Lakanwal, também se encontra em condição crítica, enquanto o FBI e o Departamento de Justiça avançam na investigação das motivações do crime, agora formalmente enquadrado como ato de terrorismo, em meio ao reforço da presença da Guarda Nacional e à ampliação das medidas de segurança na capital norte-americana.

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