Venezuela
Leandra Felipe/Agência Brasil

Os Estados Unidos realizaram, no início de dezembro de 2025, um ataque com drone contra uma instalação portuária na Venezuela usada para o carregamento de embarcações ligadas ao narcotráfico. A operação foi conduzida pela CIA, segundo informações reveladas pela CNN norte-americana, e só veio a público semanas depois, após declarações do presidente Donald Trump.

O ataque é considerado o primeiro conhecido dos EUA contra um alvo em solo venezuelano e marca uma mudança de patamar na escalada de tensões entre Washington e Caracas ao longo de 2025.

O que foi atingido na Venezuela

De acordo com fontes de inteligência ouvidas pela CNN, o alvo foi um cais remoto na costa venezuelana, utilizado como ponto de apoio logístico para o tráfico internacional de drogas. A instalação serviria para armazenar entorpecentes e transferi-los para embarcações que operam rotas no Caribe.

Segundo os relatos, não havia pessoas no local no momento do ataque, e não houve vítimas. A ação teria destruído a estrutura e embarcações associadas à operação clandestina.

Operação sigilosa e admissão tardia

O ataque permaneceu fora do debate público até que Donald Trump mencionou o episódio em uma entrevista concedida na semana passada, retomando o assunto na segunda-feira (29), ao afirmar que os EUA atingiram “a área do cais onde os navios são carregados com drogas”.

Questionado sobre detalhes, Trump confirmou a destruição da instalação, mas recusou-se a informar se a operação foi conduzida pelas Forças Armadas ou pela CIA. A agência de inteligência não comentou oficialmente o episódio.

Autoridades americanas também não divulgaram imagens, relatórios de inteligência ou documentos que comprovem publicamente a vinculação direta da instalação ao narcotráfico.

Divergências internas nos EUA

Segundo a CNN, duas fontes afirmaram que Forças de Operações Especiais dos EUA teriam fornecido apoio de inteligência à operação. A informação, no entanto, foi negada por porta-voz do Comando de Operações Especiais, que afirmou que nenhuma unidade militar participou ou apoiou a ação.

O episódio expôs divergências internas sobre o grau de envolvimento militar direto dos EUA em operações dentro do território venezuelano.

Silêncio de Caracas

Até o momento, o governo de Nicolás Maduro não se manifestou oficialmente sobre o ataque. Não houve comunicado, coletiva ou pronunciamento confirmando danos ou denunciando violação de soberania.

A ausência de resposta pública contrasta com reações anteriores do governo venezuelano, que costumam incluir denúncias formais em fóruns internacionais e discursos de enfrentamento político aos Estados Unidos.

Escalada ao longo de 2025

O ataque se insere em um contexto de escalada progressiva da pressão americana sobre a Venezuela em 2025. Ao longo do ano, os EUA intensificaram sanções, ampliaram a presença militar no Caribe e conduziram operações contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas em águas internacionais.

Segundo balanços divulgados por veículos internacionais, ações atribuídas à ofensiva americana contra rotas ligadas à Venezuela já resultaram em ao menos 107 mortes em 2025, em diferentes operações na região.

Até o ataque realizado no início de dezembro, as ações dos EUA haviam se concentrado fora do território venezuelano, o que torna a operação agora revelada um marco inédito no atual ciclo de tensões.

O que muda a partir de agora

Especialistas em política internacional avaliam que a admissão pública de uma ação direta em solo venezuelano — ainda que posterior ao ataque — altera o equilíbrio diplomático regional. O episódio tende a elevar o risco de respostas políticas, ampliar a desconfiança entre países da América Latina e dificultar negociações em curso envolvendo sanções econômicas, energia e comércio.

A confirmação de que a operação foi conduzida pela CIA, e não por forças militares convencionais, também reforça o caráter sensível e pouco transparente da ação, ampliando questionamentos sobre precedentes e limites da atuação americana.

O que ainda não se sabe

Ainda não está claro se a operação será tratada como um episódio isolado ou se inaugura uma nova fase de intervenções pontuais em território venezuelano. Permanecem sem resposta questões sobre a legalidade da ação sob o direito internacional, eventuais reações diplomáticas de Caracas e impactos em negociações futuras.

Enquanto isso, o caso segue cercado de lacunas informativas, com mais perguntas do que respostas sobre o alcance real do ataque e suas consequências para a estabilidade regional.

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