Rafael Ribeiro/Banco Central

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) encerrou a última reunião do ano na quarta-feira (10) ao manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, movimento amplamente esperado pelo mercado. Contudo, o comunicado que embasou a decisão agiu como um “banho de água fria” para os investidores que esperavam uma sinalização de afrouxamento monetário já para a reunião de janeiro. A percepção é que algum corte só deve vir depois do Carnaval.

O texto do Copom reafirmou a necessidade de “cautela” diante de um cenário de “elevada incerteza” e manteve a estratégia de juros em patamar “significativamente contracionista por período bastante prolongado”.

Os dirigentes do BC justificaram a postura firme citando que as expectativas de inflação continuam desancoradas e acima da meta. O mercado de trabalho segue resiliente, e a inflação de serviços persiste acima do ideal. Além disso, o cenário fiscal desarrumado e os riscos internacionais, combinados com a sensibilidade cambial e a inércia dos preços, contribuem para um balanço de riscos desfavorável.

Apesar de reconhecer que a política monetária está funcionando – com a projeção de inflação para o horizonte relevante de 2027 caindo ligeiramente para 3,2% –, o Copom optou por “esperar para ver” na próxima reunião, em janeiro, sem se comprometer com qualquer alteração futura.

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