Foto: Gravity Cut/Pexels
Foto: Gravity Cut/Pexels

No último sábado (27), o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS) informou que duas mortes foram confirmadas no Estado por intoxicação por metanol. As vítimas eram da região da Mooca/Aricanduva, na capital paulista, e de São Bernardo, no ABC. Outros 10 casos de bebida contaminada estão sob investigação.

Os pacientes relataram apresentar sintomas após o consumo de diferentes tipos de bebida, como gim, vodca e uísque. Sofrendo de perda de visão temporária, a designer de interiores Rhadarani Domingos, afirmou que antes de passar mal ingeriu três caipirinhas de frutas vermelhas com vodca. De acordo com a jovem, a bebida não apresentou gosto diferente e em nenhum momento ela desconfiou sobre a procedência do produto.

Em cobertura realizada pelo Fantástico, um jovem afetado está em coma desde o dia 1 de setembro devido a intoxicação. Segundo a mãe do rapaz, Helena Anjos Martins, a equipe médica conseguiu remover a substância do organismo, mas os efeitos causados pela toxicidade já haviam atingido o cérebro e a visão. Desde então, o paciente respira através de aparelhos.

Na mesma ocasião, um amigo que estava presente e que também ingeriu bebida precisou de atendimento médico imediato. Diogo Marques ficou internado após apresentar perda de visão e forte dor de cabeça. “Eu acordei desesperado. Abri o olho e não estava enxergando nada. Tudo preto”, relata.

O Metanol, substância que está causando as intoxicações, é nocivo e pode provocar sintomas como enjoo, tontura, visão turva e danos cerebrais graves. Os casos já registrados de intoxicação por metanol estavam relacionados a contextos de abuso de substâncias e não por adulteração de bebidas, levantando suspeita.

Em megaoperação realizada no último mês sobre um esquema bilionário de fraudes em combustíveis, autoridades identificaram que o metanol era importado pelo PCC pelo Porto de Paranaguá, no Paraná. Os desdobramentos do caso podem ajudar a entender a relação do metanol utilizado para a adulteração de bebidas.

A Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) emitiu nota informando que tem acompanhado as operações de combate ao comércio ilícito e que neste ano de 2025 houveram mais de 160 mil produtos apreendidos.

Em consonância, o Ministério da Justiça e Segurança Pública recomendou aos estabelecimentos comerciais sobre como identificar produtos falsificados, como sinais de lacres rompidos ou tortos, erros de impressão e odor de produto químico.

Ao apresentar sintomas após o consumo de bebidas, deve-se procurar atendimento médico imediatamente.

Veja também