Sergio Moraes/COP30

A cidade de Belém (PA) entrou na fase final dos preparativos para sediar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que será realizada entre 10 e 21 de novembro de 2025. Embora oficialmente marcada para iniciar na próxima semana, a cidade já começa a sentir a movimentação do encontro que reunirá delegações de mais de 190 países, com a presença de chefes de Estado, ministros, cientistas, representantes da ONU, lideranças indígenas e organizações da sociedade civil.

A estrutura principal da conferência está concentrada no Hangar Centro de Convenções da Amazônia, que passou por adequações em acessibilidade, segurança e capacidade de operação. A cidade recebeu reforços em transporte, sinalização e serviços públicos. O governo federal, o governo do Pará e a ONU coordenam o plano de segurança e mobilidade, com atuação da Força Nacional, Polícia Federal e Defesa Civil.

A expectativa é de 45 mil a 50 mil participantes, segundo estimativas oficiais. O aeroporto internacional de Belém ampliou a oferta de voos e a rede hoteleira opera próxima ao limite, com estruturas temporárias para delegações e imprensa.

Além das rodadas diplomáticas, a COP30 incluirá fóruns paralelos, eventos científicos e debates sobre adaptação, descarbonização, financiamento e transição energética. Será a primeira COP sediada na Amazônia, o que reforça o foco sobre o papel das florestas tropicais no equilíbrio climático global.

UE busca consenso sobre meta de 2040

É neste contexto que a União Europeia chega a Belém em busca de consenso interno para aprovar uma meta de redução de 90% das emissões até 2040, em comparação com 1990. O texto, ainda em debate, prevê o uso de créditos de carbono internacionais como mecanismo complementar de cumprimento de metas. Segundo o portal Le Grand Continent, a proposta divide os países do bloco entre os que defendem metas mais rígidas e os que pedem flexibilidade para setores industriais e energéticos.

O objetivo é apresentar uma posição unificada durante a conferência e reafirmar o compromisso europeu com a neutralidade climática até 2050.

EUA ausente

Nos Estados Unidos, o governo de Donald Trump confirmou que não enviará representantes de alto escalão à COP30, segundo a agência Reuters. O país participará apenas com observadores técnicos. A decisão ocorre enquanto Washington prioriza acordos bilaterais de energia e gás natural liquefeito, sinalizando uma mudança de foco nas relações multilaterais sobre o clima.

A ausência norte-americana deve limitar o alcance das negociações sobre financiamento e cooperação tecnológica entre os grandes emissores de gases de efeito estufa.

Proposta de taxação global para financiar o clima

Entre os temas centrais de Belém está a discussão sobre novas fontes de financiamento climático. Um grupo de países liderado pelo Brasil, França e Quênia defenderá a criação de mecanismos de taxação sobre jatinhos particulares, grandes embarcações e transações financeiras internacionais. A proposta, debatida no âmbito da ONU e da Coalizão Global pelo Financiamento Sustentável, busca arrecadar entre US$ 200 bilhões e US$ 300 bilhões anuais para o enfrentamento das mudanças climáticas.

A ideia é direcionar os recursos para fundos multilaterais de adaptação e mitigação, especialmente voltados a países vulneráveis e regiões tropicais. A cobrança incidiria sobre emissões de luxo — voos privados, megaiates e transações de alto valor — consideradas símbolo da desigualdade climática entre ricos e pobres.

A iniciativa encontra resistência de economias desenvolvidas, que alegam dificuldade de implementação e risco de fuga de capitais, mas tende a ganhar protagonismo nas discussões de Belém.

O papel do Brasil como país-sede

O Brasil, anfitrião da conferência, busca consolidar sua posição como articulador entre países desenvolvidos e emergentes. Entre as iniciativas apresentadas está o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), destinado a financiar ações de conservação de biomas tropicais como a Amazônia, o Congo e o Sudeste Asiático, com aportes públicos e privados.

No plano interno, o Congresso Nacional aprovou a tramitação em regime de urgência de cinco projetos de lei ligados à agenda ambiental. Entre eles estão a ratificação do Acordo de Escazú, a criação do portal Infoclima-Terra-Brasil, políticas de educação para desastres ambientais e educação climática nas Cipas, além da priorização de investimentos em saneamento em municípios vulneráveis.

Essas medidas integram o esforço do país para reforçar a governança ambiental e alinhar políticas nacionais aos compromissos do Acordo de Paris.

Desafios logísticos e perspectivas globais

A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) recomendou que as delegações ajustem o tamanho de suas comitivas em razão dos custos de hospedagem em Belém. Delegações de países africanos e ilhas do Pacífico reorganizaram suas participações com apoio de fundos internacionais.

Segundo a Comissão Econômica das Nações Unidas para a África (UNECA), apenas 13 dos 195 países signatários do Acordo de Paris apresentaram novas metas nacionais de redução de emissões (NDCs) dentro do prazo. Os dados mais recentes da ONU indicam que, se mantidas as metas atuais, a temperatura média global pode aumentar entre 2,6 °C e 3,1 °C até o fim do século.

A conferência em Belém será um marco para discutir novos mecanismos de financiamento, revisão de metas nacionais e cooperação internacional em mitigação e adaptação climática.

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