Diego Campos/Secom-PR

Com um mês no cargo, Guilherme Boulos vem ampliando significativamente o escopo de atuação do Ministério da Secretaria-Geral e começa a assumir prerrogativas tradicionalmente associadas à articulação política do governo. Há um exemplo pragmático em curso. Diante do impasse na subcomissão responsável por analisar a PEC que propõe o fim da escala 6×1, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu encarregar pessoalmente Boulos para ir à Câmara dos Deputados negociar a construção de um parecer paralelo capaz de viabilizar a aprovação de um modelo de jornada 5×2.

A proposta elaborada pelo Palácio do Planalto utiliza como base projetos de lei que já tramitam na Câmara. O texto prevê o fim da escala 6×1 e a instituição de uma jornada 5×2, com 40 horas semanais e oito horas diárias. A iniciativa busca reforçar o protagonismo do governo em uma pauta que Lula pretende destacar durante a campanha eleitoral de 2026.

Boulos deve apresentar aos parlamentares um mecanismo de transição para a nova jornada. O governo também trabalha para incluir dispositivos que impeçam redução salarial e garantam dias consecutivos de descanso, blindando trabalhadores de possíveis perdas decorrentes da mudança.

Além da discussão sobre a jornada de trabalho, Boulos também tentará avançar nas negociações sobre a regulamentação do trabalho por aplicativo. A Secretaria-Geral anunciou na última semana a criação de um grupo de trabalho com entregadores para discutir propostas de regulação, demonstrando a intenção de dialogar diretamente com as categorias afetadas.

A intenção do Planalto é apresentar sugestões consolidadas e levar o tema para votação no Congresso antes de abril, quando as votações tendem a desacelerar devido ao período eleitoral. O prazo apertado exige habilidade política de Boulos, que terá que construir consensos em ambiente legislativo fragmentado e frequentemente resistente a pautas trabalhistas. O sucesso nessa empreitada poderá consolidar o ministro como peça central na articulação política do governo Lula.

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