
Em entrevista ao programa Bom dia, Ministro nesta terça-feira (25), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, detalhou as novas iniciativas do governo federal, focadas em diálogo social, regulamentação de trabalho e melhoria das condições laborais. Boulos destacou o lançamento do programa Governo na Rua e a urgência na aprovação de pautas como o fim da escala 6×1 e a regulamentação do trabalho por aplicativos.
O programa Governo na Rua tem como meta a escuta ativa e a divulgação direta de políticas públicas, visando ampliar a presença do governo nos territórios e fortalecer a democracia. “Democracia é escutar as pessoas e chamá-las a decidir, não só no período eleitoral”, defendeu Boulos. O programa terá início já em dezembro no Distrito Federal, começando pelo Sol Nascente, uma das maiores favelas do Brasil, com a proposta de levar os programas de diversos ministérios para as bases populares e criar processos participativos de decisão.
No Congresso, a prioridade máxima inclui a regulamentação do trabalho por aplicativos e a revisão da escala 6×1, que prevê apenas um dia de descanso semanal. O ministro enfatizou a necessidade de garantir direitos a cerca de 3 milhões de trabalhadores de aplicativos, defendendo um novo marco legal que estabeleça piso de ganho, seguro, previdência e transparência nos algoritmos. Boulos classificou como injusta a fatia “gigantesca” abocanhada pelas empresas de tecnologia e espera “boas notícias” para a categoria até o início de 2026.
Em relação à escala 6×1, que afeta milhões de trabalhadores com desgaste físico e emocional, Boulos citou o drama de um garçom que não conseguia conviver com a família devido ao dia de folga coincidir com o horário de trabalho da esposa e das filhas na escola. O ministro argumentou que um único dia de descanso é insuficiente e que esta deveria ser uma pauta de interesse nacional. Ele rebateu as críticas de grandes empresas sobre os custos, classificando-as como as mesmas “desculpas” usadas desde a instituição do salário mínimo por Getúlio Vargas. O governo estuda, contudo, uma compensação fiscal para pequenos negócios que possam ser afetados.
Outra pauta ambiciosa abordada foi a possibilidade de uma tarifa zero nacional para o transporte público. Boulos confirmou que o Presidente Lula “tem simpatia” pela ideia, mas ressaltou que a medida depende de estudos de viabilidade econômica conduzidos pelo Ministério da Fazenda. Segundo a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), o custo estimado seria de R$ 80 bilhões anuais, dependendo de financiamento federal para uma área de responsabilidade municipal.