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O mercado de trabalho brasileiro alcançou, no trimestre encerrado em novembro de 2025, o menor nível de desocupação desde 2012. A taxa caiu para 5,2%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (30). O resultado confirma a trajetória de queda ao longo do ano e coloca o país em um patamar inédito de ocupação e renda.

No período, cerca de 5,6 milhões de pessoas estavam desocupadas, enquanto o número de ocupados chegou a aproximadamente 102 milhões, também o maior nível já registrado pela pesquisa. A expansão do emprego foi impulsionada principalmente pelos setores de serviços, comércio e construção, que concentraram a maior parte das novas vagas.

Emprego formal avança

O avanço do mercado de trabalho foi acompanhado pelo crescimento do emprego formal. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado alcançou cerca de 39,5 milhões, recorde da série histórica. Ao mesmo tempo, o contingente de trabalhadores sem carteira permaneceu elevado, em torno de 13,4 milhões, indicando que a melhora do mercado segue combinando formalização e informalidade.

O grupo dos trabalhadores por conta própria permaneceu próximo de 26 milhões, refletindo mudanças estruturais no perfil das ocupações e a consolidação de formas alternativas de inserção no mercado de trabalho.

Renda no maior patamar da série

Além da queda da desocupação, a renda média real habitual dos trabalhadores atingiu o maior valor da série histórica, chegando a cerca de R$ 3.300. O crescimento foi observado tanto na comparação trimestral quanto anual, impulsionado pelo aumento da ocupação e pela recomposição de rendimentos em alguns segmentos.

A massa de rendimentos, que representa a soma de tudo o que é pago aos trabalhadores no país, também bateu recorde e alcançou aproximadamente R$ 340 bilhões, reforçando o poder de compra das famílias e sustentando o consumo no fim de 2025.

Diferenças regionais persistem

Apesar do resultado nacional, o levantamento do IBGE aponta que desigualdades regionais permanecem. As menores taxas de desocupação continuam concentradas nas regiões Sul e Centro-Oeste, enquanto Norte e Nordeste seguem com índices acima da média nacional, embora com melhora consistente ao longo do ano.

Sustentabilidade do cenário

Economistas avaliam que os dados refletem a combinação de crescimento da atividade econômica, expansão do setor de serviços e recuperação gradual do mercado de trabalho após os choques dos últimos anos. O desafio, a partir de agora, passa a ser sustentar os níveis de emprego e renda, com ganhos de produtividade, em um ambiente de desaceleração global e de debates sobre ajuste fiscal.

A combinação entre desocupação em mínima histórica e renda em máxima da série coloca o mercado de trabalho brasileiro em um patamar inédito, ao mesmo tempo em que mantém no centro do debate a qualidade das vagas e a estrutura do emprego no país.

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