
A provável confirmação da candidatura presidencial de Ronaldo Caiado pelo PSD deve alterar significativamente o equilíbrio de forças no campo da direita para as eleições de 2026. A decisão do governador do Paraná, Ratinho Jr., de desistir da disputa abriu espaço para o avanço do nome do goiano dentro do partido, movimento visto como cada vez mais provável por dirigentes da legenda.
No entorno do senador Flávio Bolsonaro, a leitura inicial foi positiva. Aliados avaliam que Caiado possui um perfil mais combativo, com histórico consolidado de enfrentamento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde a eleição de 1989. Nesse cenário, o governador de Goiás poderia assumir o protagonismo nos ataques mais duros, permitindo ao senador adotar uma postura mais moderada.
A estratégia, no entanto, esbarra em um fator central: a sobreposição de bases eleitorais. Caiado e Flávio disputam diretamente o eleitorado de direita, especialmente aqueles que priorizam a segurança pública como tema central da campanha. Pesquisas recentes indicam vantagem do governador goiano nesse campo, impulsionada por sua alta aprovação em Goiás — superior a 70% — e pela percepção de eficácia em sua política de segurança.
Além disso, Caiado apresenta forte capilaridade política regional. Herdeiro de uma tradicional elite do agronegócio do Centro-Oeste, ampliou sua influência nas eleições municipais de 2024, quando contribuiu para a vitória de aliados em diversas cidades goianas, inclusive superando candidatos apoiados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Dentro do PSD, o cenário também se reorganiza. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ainda é formalmente pré-candidato, mas enfrenta dificuldades em seu estado e pode acabar disputando o Senado. Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, é visto como possível aliado em uma composição, embora resista, por ora, a abandonar sua própria pré-candidatura.
Caso Zema permaneça na corrida, aliados de Flávio avaliam que o antipetismo tende a se fragmentar, o que poderia beneficiar o senador ao permitir um reposicionamento mais ao centro. Ainda assim, a entrada de Caiado no páreo representa um desafio concreto: mais do que um aliado tático, o governador de Goiás desponta como concorrente direto pela liderança da direita, tornando a disputa mais complexa e imprevisível.