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A recente decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de autorizar o uso da tirzepatida, comercializada como Mounjaro, para o tratamento da apneia obstrutiva do sono em pessoas com obesidade abriu espaço para uma nova controvérsia no setor de saúde. A mudança na bula, ocorrida em outubro, permite que cirurgiões-dentistas também prescrevam o medicamento, já que a apneia é uma condição frequentemente diagnosticada e acompanhada na odontologia.

O Conselho Federal de Odontologia (CFO) defende que a prescrição se enquadra nas atribuições da categoria, desde que vinculada à área de atuação prevista em lei. A entidade, no entanto, reconhece que a responsabilidade é elevada, dado que o medicamento é indicado exclusivamente para pacientes com obesidade, condição que envolve riscos clínicos e possíveis interações medicamentosas. Por isso, recomenda que o uso seja acompanhado de forma multidisciplinar, em parceria com médicos especialistas.

Já a Associação Médica Brasileira (AMB) e especialistas em endocrinologia criticam a decisão, argumentando que medicamentos sistêmicos exigem formação específica e acompanhamento rigoroso. Para eles, a obesidade é uma doença complexa e o manejo da tirzepatida deve permanecer restrito a médicos com experiência na área. Há também preocupação com a banalização do tratamento, diante de prescrições inadequadas que podem comprometer a credibilidade da terapia.

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