
A COP30, marcada para ocorrer em Belém do Pará, está se consolidando como um dos eventos mais controversos da agenda ambiental brasileira. Monitoramento realizado pela Quaest entre os dias 15 e 21 de outubro revela uma mudança significativa no tom das discussões digitais. O engajamento caiu e o ceticismo aumentou. Foram registradas 105 mil menções e 46 mil autores únicos, com uma média de 15 mil postagens por dia e alcance estimado de 1,2 milhão de visualizações por hora.
O sentimento negativo nas redes sociais subiu de 28% para 31%, enquanto o positivo recuou de 26% para 22%. Essa inversão reflete uma crescente cobrança pública sobre a coerência entre o discurso ambiental do Brasil e suas práticas políticas. A principal fonte de críticas foi a autorização do Ibama para que a Petrobras realizasse pesquisas de exploração de petróleo na Margem Equatorial da Amazônia.
Quatro eixos temáticos dominaram o debate: transição energética, biodiversidade, gases de efeito estufa e financiamento climático. A transição energética foi o tema mais polarizado, com 112 mil menções desde julho. As críticas apontam para a contradição entre a busca por protagonismo climático e a ampliação da exploração de combustíveis fósseis. Por outro lado, há reconhecimento dos investimentos em fontes renováveis como biocombustíveis, energia solar e eólica.
A biodiversidade, com 50 mil menções, destacou o papel simbólico da Amazônia e das lideranças indígenas, embora também tenha sido alvo de críticas pela fragilidade das políticas de conservação. Já as discussões sobre gases de efeito estufa, embora menos populares (25 mil menções), revelam um foco técnico e internacional, com cobranças sobre metas e denúncias de greenwashing.
O financiamento climático foi o único eixo com predominância positiva (65%), impulsionado por iniciativas como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre e propostas do BRICS para um fundo trilionário.
O estudo da Quaest indica que o debate digital entrou em uma fase mais crítica e sofisticada, com maior atenção à coerência institucional e às políticas públicas. A COP30, antes celebrada como símbolo de esperança ambiental, agora enfrenta o desafio de provar que o Brasil está preparado para liderar com responsabilidade a transição climática global.